A indústria global de fintech registou em 2024 um crescimento de 21% nas receitas, cerca de três vezes superior ao setor financeiro tradicional, cujo avanço foi de apenas 6%.
Os dados constam do estudo “Global Fintech 2025: Fintech’s Next Chapter: Scaled Winners and Emerging Disruptors”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a QED Investors.
Segundo o relatório, a margem média de EBITDA das fintechs cotadas subiu 25%, alcançando os 16%, enquanto 69% destas empresas já operam com lucro — uma evolução significativa face a menos de 50% em 2023. Este dinamismo é atribuído ao crescimento de fintechs em escala, empresas com receitas anuais iguais ou superiores a 500 milhões de dólares, que já representam 60% do setor a nível global (231 mil milhões de dólares).
O segmento de soluções de pagamento foi o principal motor do setor, somando 126 mil milhões de dólares, com destaque para as carteiras digitais (67 mil milhões). Os neobancos geraram 27 mil milhões e a corretagem de criptomoedas no retalho 16 mil milhões. Já o modelo Buy Now Pay Later (BNPL) destacou-se pelo ritmo acelerado, crescendo 42% em 2024.
Em termos regionais, os EUA lideram com 52% das receitas (cerca de 120 mil milhões de dólares), seguidos pela China (16%) e pela região Ásia-Pacífico e América Latina, com 10% cada. A Europa surge apenas com 8%, penalizada pela fragmentação regulatória e cultural, enquanto Médio Oriente e África representam menos de 1%.
A próxima fase de crescimento do setor será impulsionada por modelos B2B2X, infraestrutura financeira assente em inteligência artificial (IA) e novas soluções de crédito, indica o estudo. Entre as tendências de longo prazo, destacam-se a IA agentiva, baseada em agentes autónomos, que já capta 49% do financiamento total do setor apesar de representar apenas 23% do mercado; as finanças onchain, com a tokenização de ativos como obrigações e imobiliário; a expansão dos neobancos, através da diversificação de serviços; e o crédito às fintechs, com a entrada de fundos privados que já gerem 1,7 biliões de dólares em ativos.
A BCG recomenda inovação tecnológica, regulação ágil e maior cooperação entre atores como pilares estratégicos para sustentar o crescimento. Para os reguladores, a prioridade passa por clarificar regras sobre IA e ativos digitais. Já os investidores são encorajados a apostar em mercados emergentes e em infraestrutura financeira. As fintechs devem integrar a IA nos modelos de negócio e apostar em fusões e aquisições para ganhar escala, enquanto os bancos são chamados a reforçar parcerias com estas empresas e a adotar tecnologias digitais de forma estratégica.
“Apesar de o setor representar apenas 3% das receitas globais do sistema financeiro, a evolução das fintechs evidencia o seu potencial disruptivo e a capacidade de redefinir a indústria nos próximos anos”, conclui o relatório.














