Num testemunho prestado esta quarta-feira no julgamento sobre o monopólio da Google na publicidade online, Eddy Cue, responsável máximo pelos serviços da Apple, afirmou que “daqui a 10 anos já ninguém usará iPhones “.
A declaração surge num momento em que a indústria tecnológica vive uma transformação profunda impulsionada pela inteligência artificial (IA), que poderá revolucionar o mercado e ditar o fim de dispositivos como o smartphone da Apple.
O impacto das palavras de Cue foi inicialmente ofuscado por acontecimentos como o aumento da produção de petróleo decidido pela OPEP, o ataque da Índia ao Paquistão e a incerteza provocada pela guerra comercial dos EUA com outros países. No entanto, os analistas já começaram a destacar o peso estratégico das declarações do executivo no futuro da Apple, de acordo com o ‘elEconomista’.
Eddy Cue reconheceu que o setor dos smartphones é ainda jovem quando comparado com outras indústrias, como a do petróleo ou da higiene pessoal, e por isso está sujeito a mudanças drásticas. A Apple, que enfrenta atualmente desafios em mercados como a China, vê as vendas do iPhone — que representam mais de metade da sua receita — a serem pressionadas, o que levou ao adiamento do lançamento do iPhone 18 para 2026.
Apesar disso, a empresa continua a apostar no hardware como base para o crescimento do seu ecossistema de software. Nesse contexto, as palavras de Cue, proferidas no mesmo ano em que será lançado o iPhone 17, ganham um peso simbólico.
O responsável da Apple apontou ainda que a pesquisa na internet será outro dos sectores profundamente transformados pela IA. Sugeriu mesmo que ferramentas como o OpenAI poderão vir a substituir o Google. Segundo Cue, a Apple está a explorar formas de integrar IA no Safari, o que poderá abrir caminho à substituição do acordo de 20 mil milhões de dólares anuais que atualmente garante à Google o estatuto de motor de busca padrão nos dispositivos Apple.














