Opositor russo Oleg Orlov condenado a dois anos e meio de prisão

Durante o julgamento, Orlov recusou-se a reconhecer a sua culpa e renunciou à presença de testemunhas em sua defesa, argumentando que isso poderia representar um risco para elas

Executive Digest com Lusa

O opositor Oleg Orlov, ativista dos direitos humanos na Rússia, foi condenado hoje a dois anos e meio de prisão por um tribunal de Moscovo por criticar a invasão da Ucrânia.

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“O tribunal decidiu considerar Orlov culpado e impôs uma pena de dois anos e seis meses numa (…) colónia penal”, disse o juiz no seu veredicto, segundo um jornalista da agência de notícias AFP presente na audiência.

“Acusam-nos de desacreditar [o exército], sem explicar do que se trata nem de como isso difere da crítica legítima. Acusam-nos de espalhar intencionalmente informações falsas sem nos preocuparmos em provar a sua falsidade”, disse Orlov na sua última declaração antes do veredicto.

Orlov lembrou que está a ser julgado por um artigo em que qualificou o atual regime político de “totalitário e fascista”, algo que, face ao que aconteceu nos últimos meses, incluindo a morte na prisão do opositor Alexei Navalny, disse não ter sido “nem um pouco exagerado”.

Durante o julgamento, Orlov recusou-se a reconhecer a sua culpa e renunciou à presença de testemunhas em sua defesa, argumentando que isso poderia representar um risco para elas, uma vez que foi classificado como ‘agente estrangeiro’, estatuto que implica pesadas restrições administrativas.

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Orlov foi multado, a 11 de outubro passado, em 150 mil rublos (1.500 euros) pelo mesmo caso, mas o Ministério Público recorreu da decisão, acusando-o de “nutrir ódio ideológico e político” contra a Rússia, pelo que o Tribunal Urbano de Moscovo ordenou a repetição do julgamento.

O procurador assumiu, no entanto, como fatores atenuantes, entre outros aspetos, a idade do arguido – 70 anos – e a sua brilhante carreira como ativista nos últimos 30 anos.

Os tribunais abriram o processo criminal contra Orlov em março pelo artigo intitulado “Eles queriam o fascismo, já o têm”, publicado na imprensa francesa e, em novembro de 2022, na rede social Facebook.

“A guerra sangrenta declarada pelo regime de [do Presidente russo, Vladimir] Putin na Ucrânia não significa apenas o assassínio em massa de pessoas, mas também a destruição das infraestruturas, da economia e dos bens culturais daquele país extraordinário”, dizia o artigo.

Membro da organização não-governamental (ONG) Memorial, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2022 e encerrada pela justiça russa, Orlov denunciou ainda no seu último discurso, realizado na segunda-feira, “o estrangulamento da liberdade” na Rússia e “a entrada de tropas russas na Ucrânia”.

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“Não me arrependo de nada e não me arrependo de nada”, afirmou.

Em dezembro de 2021, os tribunais russos extinguiram a Memorial International e a Memorial Human Rights Center por, alegadamente, criarem uma “falsa imagem da URSS como um Estado terrorista”.

Orlov também denunciou a morte, em 16 de fevereiro, do opositor russo Alexei Navalny numa prisão no Ártico, que descreveu como um “assassínio”, e apelou aos apoiantes da oposição russa para “não perderem a coragem”.

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