De que cor são os seus olhos? Cientistas determinam como isso pode afetar a sua saúde

Elisabeth Knust, que liderou uma equipa de especialistas do Instituto Max Planck de Biologia Molecular Celular e Genética, na Alemanha, revelou as vias metabólicas desempenham um papel essencial na manutenção da saúde da retina em situações stressantes

Francisco Laranjeira

Investigadores alemães descobriram que os genes responsáveis pela cor dos olhos são essenciais para a saúde da retina: de acordo com Elisabeth Knust, que liderou uma equipa de especialistas do Instituto Max Planck de Biologia Molecular Celular e Genética, na Alemanha, as vias metabólicas desempenham um papel essencial na manutenção da saúde da retina em situações stressantes.

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Mas, o que são vias metabólicas? Segundo os cientistas, são uma série de reações bioquímicas nas células que fornecem o substrato da reação seguinte, ou seja, um caminho genético para formar uma rede metabólica. Os especialistas focaram a sua atenção em quatro genes da mosca ‘Drosophila’, conhecidos por controlar a cor dos olhos: a cinnabar, cardeal, white e scarlet, nomeados devido ao seu papel na pigmentação da cor dos olhos, em particular a formação do pigmento marrom do olho da mosca.

Os cientistas utilizaram uma combinação de genética, mudanças na dieta e análise bioquímica de metabólitos para estudar diferentes mutações da mosca da fruta, ‘Drosophila melanogaster’. Sofia Traikov, coautora, desenvolveu um método para análise bioquímica dos metabólitos da via da quinurenina, o que permitiu aos investigadores vincular diferentes níveis de metabólitos ao estado de saúde da retina. Descobriram que um metabólito, 3-hidroxiquinurenina (3OH-K), é prejudicial à retina. Mais importante, puderam deerminar que o grau de degeneração é influenciado pelo equilíbrio entre 3OH-K tóxico e metabólitos protetores, como o ácido quinurénico. “Também alimentámos dois desses metabólitos com moscas normais (não mutantes) e descobrimos que o 3OH-K aumentava o dano retiniano induzido pelo stress, enquanto o KYNA protegia a retina dos danos relacionados ao stress”, relatou Sarita Hebbar.

“Como a via da quinurenina é conservada das moscas para os humanos, perguntámo-nos se esses genes regulam a saúde da retina independentemente de seu papel na formação do pigmento”, explicou Sarita Hebbar, uma das principais autoras do estudo. A quinurenina é uma via metabólica que regula os processos biológicos. A sua alteração pode levar ao acumular de biomoléculas ou metabólitos tóxicos ou protetores, que podem melhorar ou piorar a saúde do cérebro e, portanto, da retina.

Elisabeth Knust explicou que “este trabalho demonstrou que a via da quinurenina não é importante apenas na formação do pigmento, mas que o nível do metabólito desempenha um papel importante na manutenção da saúde da retina”. De acordo com os cientistas, “No futuro, a proporção dos vários metabólitos e os locais específicos do seu acumular e atividade devem ser levados em consideração em estratégias terapêuticas para doenças com função prejudicada da via da quinurenina, observada em várias condições neurodegenerativas”, precisou a responsável.

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