Este domingo, Vladimir Putin ordenou que as forças nucleares do exército russo fossem postas em alerta máximo. Uma decisão interpretada como uma ameaça ao Ocidente, que tem anunciado uma rajada de sanções económicas contra a Rússia após a invasão da Ucrânia.
Por agora não se sabe até que ponto Putin está disposto a chegar ao fazer esta referência ao armamento nuclear de que dispõe. O que é certo é que a Rússia é de longe o país que tem mais bombas atómicas. Segundo o think tank Federação de Cientistas dos Estados Unidos, a Rússia possui 5.977 bombas atómicas, das quais 890 estão prontas para serem usadas no imediato. Foram estas as armas mencionadas no estado de alerta que o presidente russo pediu às suas forças nucleares.
O El Mundo informa que, ao contrário do que acontece com o arsenal nuclear dos Estados Unidos, o da Rússia é composto quase exclusivamente por mísseis intercontinentais e as suas bombas atómicas foram concebidas para destruir grandes bases militares e até cidades. Por outro lado, são menos precisas. Características que replicam o estilo de guerra soviético: pouca mobilidade, uma terrível logística mas uma tremenda potência de fogo.
Além disso, a doutrina nuclear russa não exclui que o país seja o primeiro a usar armas nucleares, nem que as use contra um país que não tem este tipo de armamento. O último documento oficial do Kremlin, ‘Os Princípios Básicos da Política de Dissuasão do Estado da Federação Russa’, de junho de 2020, constata que o arsenal nuclear pode ser utilizado para dissuadir um inimigo de ameaçar a Rússia.
No caso da Ucrânia, o país não falou em usar armas nucleares contra a Rússia e o armamento que as forças ucranianas estão a receber é defensivo. Isto significa que a ameaça nuclear acenada por Putin vai contra a doutrina militar russa.
A preocupante simulação sobre uma guerra nuclear na Europa
O Centro de Ciência e Segurança Global da Universidade de Princeton fez uma simulação de uma guerra nuclear na Europa. Neste estudo, a Rússia lançaria uma bomba atómica de advertência para a fronteira compartilhada pela Alemanha, Polónia e República Checa.
A reação dos Estados Unidos desencadearia uma onda de represálias mutuas que resultariam na morte de 34,1 milhões de pessoas, às quais se somariam 50 milhões de feridos. Outros milhões morreriam nos anos seguintes devido à radiação. Todo este conflito nuclear se desenrolaria no espaço de cinco horas













