O início do ano começará com um aumento do pagamento das prestações do crédito à habitação, mediante a revisão destes contratos que ocorre em janeiro. Se tem um crédito à habitação indexado a uma taxa Euribor a 12 meses, o aumento poderá rondar os 50%.
Já nos outros prazos, a 6 e 3 meses, o aumento das prestações do crédito não será tão pesado, isto porque, ao contrário do prazo a 12 meses, estas taxas já foram atualizadas em 2022, num aumento entre 30 a 40% no espaço de um ano.
Deverá por isso tentar tomar medidas para renegociar o seu contrato junto da entidade bancárias e assim reduzir o encargo representado pela prestação.
Quanto vou pagar a mais?
Damos-lhe um exemplo de um capital em dívida, de 100 mil euros, com um spread de 1,2% e 300 prestações por liquidar, e olhamos aos aumentos a acontecerem, para os contratos revistos, com a rpimeira prestação a ser paga em janeiro
Com uma Euribor a 12 meses, neste caso, veria um aumento de 165,14 euros (mais de 45%). Em janeiro de 2022 pagava 363.80 euros por mês (com a taxa de novembro de 2021, em valores negativos), mas no primeiro mês de 2023 passa a pagar 528,94 euros.
Com taxa a seis meses, em janeiro deste ano pagava quase 362 euros, tendo o valor da prestação aumentado em julho para 379,41 euros. Em janeiro, subirá para 501,16 euros, um aumento de quase 140 euros, e de quase 40%.
Já com a Euribor a três meses, em janeiro de 2022 pagava cerca de 360 euros, 362 em abril, em agosto quase 369 e em novembro pagava 404,42 euros. Agora, em janeiro de 2023, a prestação da casa passa para 456,77. Olhando a um ano, o aumento é de 32%.
Qual o aumento que vou ter nas prestações em 2023?
Deve ter em atenção vários aspetos antes de fazer as contas: a maturidade da taxa Euribor a aplicar (3, 6 ou 12 meses), o capital em dívida, o spread do contrato, o número de prestações por liquidar e o valor da Euribor aplicado à revisão da prestação.
Pode fazer as contas, por exemplo, no simulador da Imovirtual.
Aumento decidido pelo BCE e nova subida em fevereiro
Depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter subido as taxas de juro na Zona Euro em mais 50 pontos base, em dezembro, naquele que foi o quarto aumento consecutivo com vista a controlar a inflação, a instituição liderada por Christine Lagarde avisou logo que estaria previsto novo aumento das taxas: “Com base na revisão em alta substancial das perspetivas quanto à inflação, espera continuar a aumentá-las”, avançou o BCE na altura.
Com base nos dados atuais, é expectável que as taxas continuem a subir em 2023, mas a um ritmo menos acelerado do que o que foi visto em 2022.
“Manter as taxas de juro em níveis restritivos reduzirá, com o tempo, a inflação, ao refrear a procura, e protegerá também contra o risco de uma persistente deslocação, em sentido ascendente, das expectativas de inflação”, defende o BCE.
O BCE voltará a reunir para decidir sobre o aumento das taxas de juro em fevereiro, altura em que, apontam economistas e especialistas, quem tem contrato à habitação deverá mesmo ser ‘surpreendido’ por novo aumento de 0,5%.
“Está prevista também atualmente pelo mercado uma subida de igual dimensão de 50 pontos na primeira reunião de 2023, a 2 de fevereiro, seguida de aumento de 25 pontos base na segundo reunião em 2023 do BCE a 16 de março, fixando-se nessa altura a taxa de juro dos depósitos do BCE nos 2,75%, muito perto da sua taxa terminal esperada atualmente, que o mercado antecipa (…) na zona euro à volta dos 2,8%”, defende o Economista Paulo Rosa, em entrevista à CNN.













