Turnos de 18 horas por dia, uma folga por mês e dois cêntimos por peça: Nova investigação revela condições de trabalho na fábrica da Shein

Quem faz um erro que seja, é castigado com um corte de até dois terços do salário diário, que na maioria dos casos não chega aos três euros e meio. No documentário, é possível ver trabalhadoras a lavarem o cabelo durante uma pausa para almoço porque, segundo explicam “não têm tempo livre” para o fazer depois do trabalho.

Pedro Zagacho Gonçalves

Os trabalhadores das fábricas chinesas que produzem roupa para a Shein fazem turnos de trabalho de até 18 horas por dia, sem fins de semana, e só com uma folga por mês. As condições de trabalho nestes espaços, na China, foram revelada por um documentário, resultante de investigação do Channel 4 e do jornal inglês i.

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Na produção, uma jornalista usou um nome falso para conseguir trabalho em duas fábricas e filmou, com câmaras ocultas, tudo o que acontece no interior. “Aqui não existe nada disso de fins de semana ou domingos”, diz uma trabalhadora no documentário.

Numa das fábricas, os trabalhadores recebem um salário base de 4000 yuan por mês, cerca de 560 euros, mas têm que produzir mais de 500 peças de roupa por dia. O primeiro salário, mostra a investigação, não é entregue por regra aos funcionários. A maioria faz horas a mais, para ganhar um extra de dois cêntimos por peça.

No outro espaço, os trabalhadores não têm salário base, mas ganham quatro cêntimos por peça de roupa produzida, explica a produção inglesa.

Quem faz um erro que seja, é castigado com um corte de até dois terços do salário diário, que na maioria dos casos não chega aos três euros e meio. No documentário, é possível ver trabalhadoras a lavarem o cabelo durante uma pausa para almoço porque, segundo explicam “não têm tempo livre” para o fazer depois do trabalho.

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Questionada pelo Insider sobre o conteúdo do documentário, a Shein garante que o código de conduta dos fornecedores é “baseado nas convenções da Organização Internacional do Trabalho, leis e regulamentos locais, incluindo práticas laborais e condições de trabalho”, garantindo que existam “auditorias não-anunciadas nas fábricas”.

“Qualquer não-cumprimento deste código é resolvido rapidamente, e terminaremos parcerias que não correspondam às nossas referências”, termina a empresa, afirmando ter pedido “informação ao Channel 4, para que seja aberta uma investigação”.

A Shein cresceu para um verdadeiro ‘gigante’ no mercado da ‘fast fashion’, atingido uma valorização de 100 mil milhões de euros em abril, mais do que a H&M e a espanhola Zara juntas.

A marca tem roupas muito baratas, mas os clientes muitas vezes queixam-se que os itens duram pouco ou são de baixa qualidade. Muitas marcas de roupa queixam-se frequentemente que a Shein ‘copia’ os designs e modelos para venda nas lojas da marca chinesa.

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