Os transitários europeus alertaram hoje para os “custos crescentes” no transporte marítimo de contentores face aos oligopólios e pediram a Bruxelas uma análise a este setor, tendo em vista a eliminação de regras discriminatórias.
“As empresas europeias continuam a deparar-se com a escalada dos preços no transporte marítimo de contentores, níveis recordes de baixa confiabilidade e de menor escolha dos serviços”, apontou em comunicado a Associação Europeia dos Transitários, Transporte, Logística e Serviços Aduaneiros (Clecat).
Esta associação notou que as taxas de transporte estão em alta há 18 meses, contribuindo para o aumento do custo de vida da União Europeia.
Por outro lado, a Clecat apontou que as transportadoras aumentaram o seu poder no mercado e estão agora a “expulsar” os transitários independentes, o que “acabará por prejudicar” o consumidor final.
Neste sentido, os transitários enviaram uma carta à vice-presidente executiva da Comissão Europeia com a pasta da Concorrência, Margrethe Vestager, com um pedido de análise urgente ao transporte marítimo de contentores, tendo em vista eliminar as regras discriminatórias no setor.
“Em particular, a Comissão deve investigar as taxas vertiginosas que levaram aos lucros previstos destas alianças de mais de 200.000 milhões de dólares durante a pandemia de covid-19”, apontou.
Em causa, está ainda a escolha de expedidores com maior volume para os contratos de longo prazo, enquanto os restantes ficam limitados ao ‘spot market’, onde têm que lidar com elevadas taxas.
“A integração vertical é particularmente injusta e discriminatória, pois a transportadoras – que gozam de isenção das normais regras da concorrência -, estão a utilizar os seus inesperados lucros para competir contra outros setores que não gozam dessa imunidade”, afirmou, em comunicado, a diretora-geral da associação, Nicolette van der Jagt.
Esta responsável sublinhou ainda que isto leva a menos opções de serviço, restrições e taxas mais elevadas.
“Mais de 90% do comércio internacional move-se através do mar. Três alianças compostas por oito operadoras controlam 80% desse comércio. Isto é um oligopólio a aplicar preços de oligopólio”, vincou.














