A Groundforce não aceitou a proposta da TAP para assegurar, a título de adiantamento, o pagamento do subsídio de férias dos trabalhadores. A notícia foi confirmada por fonte oficial da empresa de handling, que sustenta que a TAP deve, sim, pagar pelos “serviços já prestados”.
Em comunicado, a Groundforce defende que as condições apresentadas pela companhia aérea, que é acionista minoritária, com 49,9%, são “inaceitáveis”, exigindo que devem, antes, ser saldadas as dívidas que tem junto da empresa de handling.
“A proposta, aparentemente bem intencionada, foi de imediato partilhada com a comunicação social, não deixando grandes dúvidas sobre as suas reais intenções a dois dias de começar a ser julgado o processo de insolvência movido precisamente pela TAP”, destaca a empresa detida por Alfredo Casimiro em comunicado.
“A SPdH respondeu ontem, numa carta escrita com a autoridade de quem, nos últimos dois meses, adotou uma postura construtiva, com a reserva que o processo de venda em curso exige e sem contribuir para o ruído mediático, que tanto prejudicou a empresa o e os seus trabalhadores. E respondeu, explicando que os termos e as condições nos quais assenta o adiantamento proposto pela TAP são inaceitáveis”, pode ler-se no documento.
“Com efeito, a 30 de junho de 2021, a TAP devia à SPdH a quantia global de 7.196.431 euros, sendo que 3.048.349 euros se encontram vencidos”, apontou a Groundforce.
Se os serviços tivessem sido pagos, adianta a empresa em comunicado, a Groundforce “teria tido condições para honrar os seus compromissos com as Finanças e com a Segurança Social, que vencem a 20 de julho, bem como com os trabalhadores, pagando os salários deste mês e os subsídios de férias”.
“Honrar os compromissos de julho está, agora, nas mãos da TAP, não por via de adiantamentos, mas sim do pagamento dos serviços já prestados, aos quais corresponde uma dívida comercial”, destacou a empresa de handling.
A proposta da TAP efetuada à Groundforce contemplava a realização de um novo adiantamento “por conta de serviços prestados e a prestar” com o objetivo de viabilizar o pagamento daquele subsídio, evitando que “se precipite um cenário de disrupção numa altura crítica para os clientes”.
A TAP ressalvou, no entanto, que a Groundforce apenas poderia “utilizar este montante para o pagamento do subsídio de férias dos seus trabalhadores, assim como os montantes inerentes a IRS e Segurança Social das remunerações”.
Além de pretender evitar um cenário de disrupção operacional nesta altura de verão e em que o movimento de passageiros já regista algum acréscimo, esta solução permitiria também, segundo a TAP, contribuir “para a estabilidade socioeconómica dos trabalhadores da Groundforce”.
A Groundforce é detida em 50,1% pela Pasogal, de Alfredo Casimiro, e em 49,9% pelo grupo TAP, que, em 2020, passou a ser detido em 72,5% pelo Estado português.














