Pela primeira vez, o Dicionário de Oxford optou por não nomear uma palavra do ano, descrevendo 2020 como “um ano que não pode ser enquadrado de forma clara numa única palavra”. Em vez disso, as “palavras de um ano sem precedentes” selecionadas foram várias, nomeadamente “coronavírus”, “confinamento”, “unmute [desativar modo silencioso]” e “mail-in”.
2020 é “um ano que nos deixou sem palavras”. O dicionário afirmou que há demasiadas palavras para resumir os acontecimentos de 2020. Ao detetar mais de 11 mil milhões de palavras encontradas em notícias, blogs e outras fontes de texto na Internet, os lexicógrafos revelaram falam de “mudanças sísmicas nos dados linguísticos” ao longo dos últimos 12 meses.
Coronavírus, uma das palavras do ano, é um termo que remonta aos anos 60, embora anteriormente fosse utilizada principalmente por cientistas. Em março era um dos substantivos mais frequentemente utilizados. “Covid-19”, registado pela primeira vez a 11 de fevereiro num relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), ultrapassou rapidamente o coronavírus na frequência de utilização, notou o dicionário.
Um dos desenvolvimentos linguísticos mais notáveis do ano foi a medida em que os termos científicos entraram no discurso geral, uma vez que vocabulário sobre epidemiologia passou a estar na ordem do dia. “Antes de 2020, o ‘valor de R’ era um termo conhecido principalmente pelos epidemiologistas; agora fala-se rotineiramente de ‘baixar o R’ ou ‘trazer o R abaixo de 1’. Outros termos que se tornaram muito mais comuns no discurso quotidiano incluem ‘achatar a curva’ e ‘transmissão comunitária'”, disse o dicionário.
Além disso, a utilização da frase “seguindo a ciência” aumentou mais de 1000% em comparação com o ano passado. Outra linguagem relacionada com o coronavírus citada pelo dicionário inclui “pandemia”, que viu o seu uso aumentar em mais de 57.000% este ano.
A revolução nos hábitos de trabalho também afetou a linguagem, tendo-se verificado um crescimento superior a 300% na utilização desde março da palavra “remoto”. “Mudo” e “não mudo” viram um aumento de 500% desde março.
Outros eventos noticiosos também se refletiram no vocabulário. A utilização de “Black Lives Matter” e da sigla “BLM” aumentou. A expressão “teoria da conspiração”, entretanto, quase duplicou de entre outubro de 2019 e outubro de 2020. A utilização de “Brexit”, no entanto, diminuiu 80% este ano.
As escolhas anteriores para a palavra do ano de Oxford incluíram “emergência climática” e “pós verdade”. O dicionário Rival Collins escolheu “confinamento” para a palavra do ano, no início deste mês.













