Web Summit: “É só estúpido acabar com reconhecimento facial”. Kasparov deixa Facebook em xeque

A Facebook anunciou que vai deixar de utilizar na sua plataforma o reconhecimento facial, que permite identificar, desde 2010, uma pessoa com base em fotos ou vídeos colocados nesta rede social.

Fábio Carvalho da Silva
O Facebook cometeu um erro ao encerrar o sistema de reconhecimento facial, de acordo com Gary Kasparov, antigo campeão mundial de xadrez e ativista pelos direitos humanos.
A decisão, anunciada esta terça-feira, é “estúpida” disse Kasparov à CNBC, durante a conferência tecnológica da Web Summit, em Lisboa.
“A rede social está a curvar-se perante esta indignação pública”, disse Kasparov quarta-feira, poucos dias depois de o Facebook se ter sido rebatizado para Meta. “Pessoalmente, acho que é estúpido por uma simples razão: o Facebook pode desligar o sistema, nas os chineses não.”
 “É uma loucura pensar que na era da internet global, pode-se começar a forçar as empresas na América ou na Europa a seguir estas regras e a abandonar novas funcionalidades”, acrescentou o estratega, conhecido pelas suas lutas em prol da tecnologia e contra o excesso de regulamentação.

A Facebook anunciou que vai deixar de utilizar na sua plataforma o reconhecimento facial, que permite identificar, desde 2010, uma pessoa com base em fotos ou vídeos colocados nesta rede social.

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O grupo californiano envolvido em vários escândalos indicou também que vai suprimir a informação acumulada de reconhecimento facial relativa a mil milhões de utilizadores, segundo um seu comunicado.

“Esta mudança vai representar uma das mais importantes evoluções em termos de uso do reconhecimento facial na história desta tecnologia”, salientou o vice-presidente da empresa com o pelouro da inteligência artificial, Jerome Pesenti.

“Mais de um terço dos utilizadores diários da Facebook ativaram o reconhecimento facial e podem ser reconhecidos”, especificou. “Mais de mil milhões de modelos numéricos de reconhecimento facial vão, portanto, ser suprimidos.

Esta decisão inesperada significa que alguns instrumentos populares da rede vão deixar de funcionar, por exemplo, o algoritmo vai deixar de identificar as pessoas presentes em uma foto, quando alguém a publicar.

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A Facebook enfrenta uma série de acusações associadas à divulgação de documentos internos por uma sua ex-funcionária.

Esta, Frances Haugen, tem garantido, em declarações no Congresso dos EUA, no Parlamento Europeu e, agora, na Web Summit que decorre em Lisboa, que a empresa de redes sociais coloca os seus lucros à frente da segurança dos utilizadores.

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