Ucrânia ‘vinga-se’ de Trump e aposta na aliança do Báltico-Mar Negro

O chefe da Inteligência de Defesa da Ucrânia, Kyrylo Budanov, defendeu o reforço da cooperação entre os países da região do Báltico e do Mar Negro como um pilar essencial para a segurança do seu país e para conter eventuais avanços expansionistas da Rússia.

Pedro Zagacho Gonçalves

O chefe da Inteligência de Defesa da Ucrânia, Kyrylo Budanov, defendeu o reforço da cooperação entre os países da região do Báltico e do Mar Negro como um pilar essencial para a segurança do seu país e para conter eventuais avanços expansionistas da Rússia. A posição foi expressa numa entrevista ao meio de comunicação polaco Defence24, onde Budanov destacou a importância de novas alianças estratégicas num momento em que os Estados Unidos parecem estar a relegar a Ucrânia para um papel secundário nas negociações com Moscovo.

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Questionado sobre a possibilidade de aprofundar a colaboração entre a Ucrânia e a Polónia no reforço da segurança da Europa Central e Oriental, Budanov foi categórico:

“É possível, sem dúvida. Podemos falar sobre o progresso dos avanços no âmbito da Franja do Mar Báltico e do Mar Negro e sobre as diversas iniciativas no quadro dos Três Mares. Todas estas iniciativas estão relacionadas, por um lado, com a nossa região e, por outro, com a segurança global na Europa. Os novos tempos trazem consigo novos desafios aos quais devemos responder”, afirmou o responsável ucraniano.

Budanov sugeriu ainda que a atual parceria entre Kiev e Varsóvia poderá evoluir para algo mais profundo no futuro: “Os novos desafios exigem novas abordagens para serem resolvidos”, disse, insinuando que a cooperação entre os dois países poderá dar origem a uma aliança mais estruturada.

Durante a entrevista, Budanov foi claro ao afirmar que a segurança europeia é impossível sem a participação ativa da Ucrânia e das suas forças armadas. O responsável sublinhou que existem diversos projetos de cooperação entre Kiev e Varsóvia que, por razões estratégicas, não podem ser tornados públicos neste momento, mas que estão em curso e são vistos com grande entusiasmo pela Ucrânia.

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A Polónia, segundo Budanov, tem sido um dos parceiros mais fiéis da Ucrânia desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022. “Cada tanque russo destruído pelos ucranianos é um tanque que não foi à guerra contra a Polónia”, afirmou, destacando o papel decisivo da resistência ucraniana não apenas para o seu próprio território, mas também para a estabilidade de toda a região.

Apesar do fortalecimento da cooperação, Budanov alertou para as tentativas de Moscovo de enfraquecer a aliança entre os dois países. “Temos uma história comum, grandiosa e gloriosa. A Rússia sempre foi nosso oponente e, muitas vezes, até nosso inimigo. E juntos derrotámo-la várias vezes. Até conquistámos Moscovo”, afirmou, recordando momentos históricos de confronto entre as nações eslavas e o império russo.

As declarações de Budanov surgem num momento de crescente preocupação em Kiev relativamente ao papel dos Estados Unidos no conflito. Washington iniciou negociações diretas com Moscovo sem dar à Ucrânia um papel central no processo e sem considerar diretamente os interesses da União Europeia. Esta mudança de estratégia tem sido vista por alguns analistas como um sinal de possível retração do apoio norte-americano à resistência ucraniana, deixando Kiev mais dependente dos seus aliados europeus para garantir o seu futuro estratégico.

A Ucrânia, ciente da necessidade de novas alianças, parece estar a apostar cada vez mais na cooperação regional, especialmente no eixo Báltico-Mar Negro, como forma de reforçar a sua segurança e garantir um contrapeso eficaz contra a influência russa.

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