No âmbito da escalada de violência no conflito entre Hamas e Israel, o movimento jihadista já matou 1500 pessoas e fez até ao momento 212 reféns sendo que, segundo Mohamed al Hindi, responsável político do Hamas, a maioria são soldados israelitas raptados durante a incursão iniciada a 7 de outubro.
Mas colocam-se várias questões: Onde estão os sequestrados? Quem os esconde e os mantém cativos? Como é que ‘desaparecem’ mais de 200 pessoas? A resposta está num grupo específico existente dentro da organização do Hamas, a ‘Shadow Unit’ (Unidade Sombra).
Pouco se sabe sobre esta unidade secreta, e as informações existentes são as que o Hamas divulga. Foi criada em meados de 2016, sendo que teve como primeira ação, segundo o El Español, manter escondido o soldado israelita Gilad Schlai, que viria a ser usado como ‘moeda de troca’ para a libertação de mil prisioneiros palestinianos.
Esta unidade, de quem não se conhece o seu líder imediato, foi criada com o objetivo precisamente de encontrar uma forma de negociar a libertação de prisioneiros palestinianos encarcerados por Israel. Ao ter uma unidade especialmente treinada para o efeito de supervisionar operações de reféns, o Hamas teria maior sucesso na negociação da libertação de prisioneiros palestinianos.
A Shadow Unit não participa em operações de combate, nem sequer nos próprios sequestros em si: concentra-se apenas em manter os reféns detidos (e escondidos). Os seus membros aparecem sempre vestidos de preto e de cara tapada.
Orgulham-se da sua eficácia: até hoje nenhum dos reféns que fizeram foi encontrado ou resgatado pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), sendo sempre usados como moeda de troca para prossecução dos objetivos do Hamas. Onde escondem os reféns? Prisões subterrâneas e ‘casas seguras’ espalhadas por Gaza, ou eventualmente até nos túneis do chamado ‘metro de Gaza’, que é usado pelo Hamas para que os elementos se movimentem escondidos e também para fazer circular bens, armas e mantimentos.
No entanto, atualmente, esta unidade enfrenta um desafio: tinha um recorde de cerca de seis prisioneiros feitos reféns de cada vez, mas agora são mais de 200. Especialistas asseguram, ainda assim, que houve “meses de preparação” da unidade sombra, de forma a se adaptar a esta realidade.
“Não tenho a certeza se o Hamas sabia ou compreendia perfeitamente quantos reféns poderia raptar”, indica Joe Truzman, colaborador do Long War Journal da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), em declarações à Fox News.
O especialista aponta ainda que outro problema que a Shadow Unit poderá enfrentar será a prestação de cuidados a tantos reféns, sendo que quando tinham poucos já havia algumas limitações ao que conseguiam garantir.
Sabe-se também para já que o Hamas exige que pelo menos 6 mil prisioneiros palestinianos sejam libertados por Israel, em troca de todos os mais de 200 reféns.










