Salários no Estado estão 10% abaixo de 2010

Ao fim de uma década de congelamento dos salários, os trabalhadores da Função Pública recebem este ano o primeiro aumento salarial desde 2009. Mas, segundo o “Expresso”, a subida de 0,3% para a generalidade dos trabalhadores do Estado fica aquém de compensar a perda de poder de compra acumulada durante esses anos, que ronda os 10%.

Só os escalões remuneratórios mais baixos terão aumentos superiores, de 1%. O aumento de sete euros mensais proposto pelo Governo deverá atingir cerca de 150 mil trabalhadores do Estado.

Em causa estão os funcionários públicos que actualmente se encontrem posicionados entre os níveis 4 e 5 da Tabela Remuneratória Única. Nestes casos, os salários vão aumentar para 642,07 euros e 690,13 euros, respectivamente. Desta forma, a medida abrange sobretudo assistentes operacionais e assistentes técnicos, que estão nas primeiras posições remuneratórias das respectivas carreiras.

Mesmo com este aumento, as contas do semanário mostram que, em termos reais – ou seja, considerando a inflação, para analisar a evolução do poder de compra – os vencimentos na Administração Pública ficam este ano, em regra, 10,2% abaixo do patamar que estavam em 2010. Se a conta for feita em euros, a perda no poder de compra chega aos 647 euros por mês (na remuneração-base, em termos brutos) nos salários mais elevados.

Assim, quais são as cinco carreiras do Estado que estão a perder mais poder de compra? E quanto falta recuperar? Veja abaixo quem são, segundo dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público e do Instituto Nacional de Estatística:

  1. Docente universitário catedrático na 4ª posição remuneratória: a perda no poder de compra é de 617 euros mensais, ou seja menos 10,2%. O salário destes profissionais vai atingir 5418 euros, valor que compara com 5402 euros de salário para a mesma função em 2010, mas que vale 6035 euros a preços actuais.
  2. Docente universitário catedrático na 1ª posição remuneratória: feitas as contas, estes profissionais perdem 533 euros por mês. A perda no poder de compra é de 10,2%. O salário destes docentes vai atingir 4679 euros em 2020, um valor ligeiramente inferior aos 4665 euros de salário da mesma função em 2010.
  3. Diplomata (embaixador) na 3ª posição remuneratória: o salário em 2020 vai atingir 4375; em 2010, o salário da mesma função era 4362. Assim, a perda no poder de compra é de 498 euros, ou seja, menos 10,2%.
  4. Tenente-general da GNR (oficial) na 2ª posição remuneratório: a perda no poder de compra é de 478, menos 10,2% em relação a 2010, quanto estes profissionais recebiam 4188 euros. Em 2020, o salário vai atingir 4201 euros.
  5. Diplomata (embaixador) na 1ª posição remuneratória: o poder de compra destes profissionais desceu 10,2% face a 2010, o equivalente a 454 euros. Em 2020, o salário vai atingir 3989 euros. Há 10 anos recebiam 3977 euros mensais.

Quem regista uma perda inferior no poder de compra?

  1. Assistente operacional na 4ª posição remuneratória: o salário em 2020 vai atingir 642 euros, um valor ligeiramente superior aos 635 euros de salário em 2010. A perda no poder de compra chega aos 9,5%, o equivalente a menos 67 euros.
  2. Assistente técnico na 1ª posição remuneratória: a perda no poder de compra é de 73 euros, ou seja menos 9,6%. Em 2020, o salário chega aos 690, acima dos 683 euros atingidos em 2010.
  3. Assistente operacional na 6ª posição remuneratória: o poder de compra desceu 10,2%. Todos os meses, levam para casa menos 84 euros, comparando com 2010. Em 2020, o salário vai atingir 740 euros, valor que compara com os 738 euros de há 10 anos.
  4. Agente da PSP na 1ª posição remuneratória: contas feitas, são menos 90 euros do que em 2010, ou seja, 10,2%. O salário vai atingir os 790 euros em 2020, mas há 10 anos era 882 euros.
  5. Guarda da GNR na 1ª posição remuneratória: a perda no poder de compra é de 90 euros, ou seja menos 10,2%. Este ano, o salário vai atingir 792 euros. Este valor compara com 790 euros de salário para a mesma função em 2010.

Esta análise, frisa o “Expresso”, incide apenas sobre a remuneração-base em termos brutos, não tendo em conta outros subsídios, e considera apenas o impacto da inflação. Não abrange outros factores que penalizaram o valor líquido da remuneração, nomeadamente o agravamento dos impostos ou o aumento dos descontos para o subsistema de saúde da função pública.

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