«Roça a escravidão». Dono da Zara acusado de explorar funcionários em Portugal

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) acusou o grupo espanhol Inditex, dono de cadeias como a Zara, Massimo Dutti e Bershka, de violar os direitos dos trabalhadores. Em causa estão reclamações de baixos salários, contratos parciais sem horário definido e situações descritas como trabalho escravo. 

A três meses de cessar funções como secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou, em declarações à “TSF”, que «é inadmissível que na Inditex estejam a impor trabalho parcial de quatro horas, deixando esses trabalhadores reféns, considerando que esses contratos de quatro horas podem ser determinados para qualquer hora do dia, de acordo com o interesse da empresa». «Uma pessoa que tenha quatro horas de serviço tem, naturalmente, um salário proporcional a essas quatro horas de serviço, se não tiver alternativa, é uma pessoa que não tem condições para viver», argumenta, classificando o caso como «uma situação de precariedade que roça a escravidão».

Acrescentou ainda que «ninguém consegue viver com 300 euros por mês». «Não se admite que a Inditex esteja a impor contratos de trabalho parcial onde, simultaneamente, exige que os trabalhadores estejam disponíveis a qualquer hora do dia para fazerem esse mesmo trabalho parcial de quatro horas», reforçou.

Arménio Carlos assegura que este caso não é único em Portugal e aponta baterias ao Governo. «Não podemos admitir que, chegados a este período natalício, tanto se fale de solidariedade e, simultaneamente, se continue a assistir e a não se tomar medidas por parte das entidades patronais e do Governo no que respeita ao combate à precariedade, a este modelo de baixos salários e trabalho precário que está, claramente, a esmagar direitos dos trabalhadores e, em relação aos jovens, a condicionar e a impedir que eles programem e organizem a sua vida no que respeita ao futuro».

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