Randstad Research: O mercado de trabalho na área da saúde

Este documento compila a informação conjuntural mais relevante sobre o mercado de trabalho no sector da saúde.

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As principais fontes utilizadas são o Inquérito ao Emprego do INE, os registos do Ministério do Trabalho e da Economia Social e do Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações, e os dados da Eurostat.

O objectivo é oferecer uma visão clara e completa da evolução do mercado de trabalho no sector através de um conjunto de tabelas e gráficos.

Para esta análise sectorial é usada a Classificação Portuguesa das Actividades Económicas, Revisão 3 (CAE Rev. 3) que é um sistema de codificação que organiza a identificação das actividades económicas realizadas em Portugal, facilitando a recolha, análise e divulgação de dados estatísticos.

As actividades de saúde humana e apoio social estão de- finidas na secção Q da CAE Rev. 3, incluindo todas as actividades que visam promover a saúde humana, como hospitais, clínicas e consultórios médicos, bem como os serviços de assistência social com ou sem aloja- mento, como residências para idosos, centros de dia e serviços de apoio domiciliário.

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A secção Q da CAE Rev. 3, que abrange as actividades de saúde humana e apoio social, inclui as seguintes divisões:

  • Divisão 86: Actividades de saúde humana Inclui as actividades médicas e de saúde, como hospitais, clínicas, consultórios médicos e dentários. É aqui que se enquadram os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde.
  • Divisão 87: Actividades de apoio social para pessoas idosas e com deficiência, com alojamento Abrange as actividades de residências para idosos, centros de apoio para pessoas com deficiência e outras instituições que oferecem alojamento e cuidados de apoio.
  • Divisão 88: Actividades de apoio social sem alojamento Inclui actividades de apoio social que não envolvem alojamento, como cuidados domiciliários, creches, centros de dia, serviços de adopção e outras formas de assistência social.

O emprego no sector Actividades de saúde humana e apoio social
Actividades de saúde humana e apoio social

Segundo os dados do INE, no ano 2025, o sector da saúde representou 10,1% do emprego total em Portugal.

Este sector não só é vital para o bem-estar da população, mas também é um dos maiores empregadores do País, gerando milhares de postos de trabalho e contribuindo significativamente para a economia do País.

A sua relevância é crescente, impulsionada pelo envelhecimento da população e maior procura por serviços de saúde.

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O sector da saúde demonstrou um crescimento consistente no emprego ao longo do período, passando de 472,6 mil pessoas em 2019 para 543,4 mil empregados no 4Q de 2025.

Em 2024, houve uma queda no emprego de 1,2%. No entanto, no ano 2025 houve uma recuperação e o crescimento foi de 7,3%. Este crescimento homólogo deu-se de forma consistente em todos os trimestres deste ano, alcançando 10,7% no último trimestre do ano.

A área da saúde caracteriza-se por uma maior feminização. No 4Q de 2025, a distribuição do emprego total por género em Portugal revela uma paridade a nível nacional, com 2,7 milhões de homens (51% do total do emprego) e 2,6 milhões de mulheres (49%). Isto contrasta com o sector da saúde, onde as mulheres representam quase 81% do emprego, totalizando 440 mil pessoas e os homens constituem 19% do emprego no sector, com um total de 104 mil pessoas.

Segundo os dados da Eurostat, no sector da saúde, o segmento de saúde humana (divisão 86) é o principal motor de emprego no sector, absorvendo quase dois terços do emprego do sector (65,3%).

As actividades de apoio social, tanto com (23,1%) como sem alojamento (11,6%), representam uma parcela menor do emprego total, com a actividade de apoio social com alojamento (divisão 87, que abrange lares e residências para idosos) a empregar mais de metade do pessoal que trabalha na área de apoio social.

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O sector da saúde teve ritmos de crescimento diferentes em cada divisão. A divisão da saúde humana foi a que mais cresceu nos anos da pandemia, com um aumento de 4,8% em 2020 e 9,4% em 2021. Em contraste, a divisão 87, sofreu que- das significativas de 7,1% em 2020 e 7,6% em 2021.

No 4.º trimestre de 2025, houve decréscimo na variação homóloga nas actividades de apoio sem alojamento (divisão 88), uma vez que as divisões de saúde humana (86) e apoio social com alojamento (87) apresentaram crescimentos sólidos.

Do total de profissionais do sector, no ano 2025, 87% eram empregados por conta de outrem (assalariados).

Dentro destes (463,1 mil pessoas), a maior parte estava concentrada no sector privado, que empregava 293,6 mil pessoas, o que corresponde a 63,4% do total do emprego no sector. Em contraste, o sector público empregava 169,5 mil pessoas, representando 36,6% do emprego total do sector.

Embora o sector público seja crucial para a prestação de serviços de saúde em Portugal, a maior parte do emprego (referente apenas a PCO, isto é excluindo trabalhadores por conta própria) é gerada por entidades privadas.

No final de 2025, o número de trabalhadores por conta própria situou-se em 38,3 mil pessoas. Estes profissionais são essencialmente trabalhadores independentes (trabalhadores liberais, emitindo os designados “recibos verdes”).

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Apesar da estacionalidade, a evolução destes profissionais na área da saúde demonstra uma tendência de crescimento, que foi particularmente visível a partir de 2018, reflectindo uma procura crescente por flexibilidade no sector.

Isto sublinha a importância deste tipo de vínculo para o funcionamento do sector da saúde em Portugal, que depende cada vez mais de profissionais liberais (médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica) para complementar os seus serviços.

A estrutura do emprego na área da saúde e apoio social no 4.º trimestre de 2025 foi mar- cada por uma forte especialização e dependência de pessoal de cuidado directo. Do total de 543,4 mil pessoas emprega- das, a maioria concentra-se em profissionais de alta qualificação, sendo os profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, etc.) 42,7% (231,9 mil pessoas).

O segundo maior grupo são os trabalhadores dos cuidados pessoais e similares, que constituem 28,1% (152,8 mil pessoas) do total.

Os restantes grupos de ocupação têm uma representatividade menor.

Segundo os dados do INE, o pessoal de saúde em Portugal entre 2021 e 2024 teve um crescimento constante em todas as categorias profissionais.

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Os/As médicos/as dentistas e médicos/as apresentaram o maior crescimento percentual (9%) indicando um investimento na especialização e nas áreas clínicas. Por sua vez, farmacêutico/as e enfermeiros/as registaram crescimentos de 7%, o que, embora seja percentualmente menor, representa um maior aumento em termos absolutos. Este crescimento transversal do pessoal é vital para responder ao aumento da procura destes profissionais em Portugal.

Sistema de contas integradas
Empresas, pessoal ao serviço e remuneração

Em 2023, o número total de empresas na área da saúde foi de 118.558. Por actividades, existe um claro domínio das relacionadas com a saúde humana, que representam 94,6% do total.

Na última década, o sector expandiu significativamente. Esse crescimento é impulsionado, principalmente, pela divisão das actividades de saúde humana, que teve um aumento de 45,4%.

A evolução no último ano também reflecte esta tendência positiva, com um aumento de 2,2% no número de em- presas do sector.

A actividade de saúde humana, concentra a maioria das empresas e do pessoal ao serviço das empresas. Esta divisão, que inclui subactividades como a prática clínica em ambulatório e os estabelecimentos de saúde com internamento, absorve a maior parte do emprego do sector. Embora o apoio social com alojamento tenha menos empresas, emprega um número expressivo de pessoas, com destaque para o apoio a idosos e pessoas com deficiência. Por sua vez, o apoio social sem alojamento, com mais empresas, emprega um número substancialmente menor de pessoas, sugerindo a presença de empresas de menor dimensão.

A remuneração na área da saúde em Portugal foi, em Dezembro de 2025, 8,3% superior à média da remuneração total do País. Desde o ano 2016, mostrou um crescimento contínuo, passando de um valor próximo de 1.084€ para 2.033€ em 2025.

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Para além disso, a remuneração apresenta um padrão cíclico e sazonal. No entanto, a tendência subjacente de aumento constante é clara. A remuneração no sector teve um crescimento expressivo de 70% nos últimos 10 anos. No último mês de Dezembro de 2025, o crescimento foi de 1,7%.

Dados de registos
Desemprego registado

Em Fevereiro de 2026 a área da saúde teve um total de 18.470 pessoas desempregadas registadas nos centros de emprego, sendo responsável por 6,1% do desemprego registado do País.

De acordo com a Classificação Portuguesa das Profissões (CPP 2010) o grupo de trabalhadores dos cuidados pessoais e similares (grupo 53) lidera o desemprego no sector da saúde, seguido dos profissionais de nível intermédio da saúde (grupo 32). Os profissionais de saúde (grupo 22), com maior qualificação, têm o menor número de desempregados. Esta análise sugere que a procura por profissionais mais qualificados é mais resiliente, enquanto que os trabalhadores com menos qualificações são mais vulneráveis ao desemprego.

Segundo os dados do IEFP o sector da saúde em Portugal tem um total de 18.470 desempregados, com a grande maioria concentrada nas regiões mais populosas do País: o Norte (7.126) e Lisboa (5.794). O resto do Continente regista números significativamente inferiores, e as Regiões Autónomas apresentam os valores mais baixos.

Embora o desemprego registado no sector esteja concentrado nas regiões mais populosas, os profissionais com qualificações mais baixas (grupos 53 e 32) são os mais afectados. Os profissionais mais qualificados registam menos pessoas em situação de desemprego, o que reflecte uma maior procura por estas competências no mercado de trabalho.

Consulte este estudo completo e outros no site da Randstad Portugal em www.randstad.pt/randstad-research/

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 245 de Agosto de 2026

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