Quando a inteligência artificial deixa de responder e começa a agir

A inteligência artificial entrou numa nova fase dentro das organizações.

Maurício Teixeira BarbieriMaurício Teixeira BarbieriManaging Director Europe da FoursysVer todos os artigos
Maurício Teixeira Barbieri
Maurício Teixeira BarbieriManaging Director Europe da FoursysJunho 22, 2026 12:11

Por Maurício Teixeira Barbieri, Managing Director Europe da Foursys

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

A inteligência artificial entrou numa nova fase dentro das organizações. Já não se limita a apoiar decisões, gerar conteúdo ou automatizar tarefas pontuais. Começa agora a assumir atividades mais complexas, com impacto direto na eficiência, na escala e a capacidade de resposta das empresas. É neste contexto que os agentes de IA começam a ganhar um papel relevante.

O seu valor mede-se menos pela novidade tecnológica e mais pelo efeito concreto que podem ter nas operações. Ao integrarem contexto, dados, sistemas e objetivos, através da orientação humana, estes agentes tornam possível uma execução mais contínua, mais adaptável e mais veloz, de múltiplas atividades. Não é só por que preconiza o EU AI Act, mas a supervisão humana é fundamental, especialmente nos estágios ainda iniciais da adoção desta tecnologia. Aliás, implementar agentes de IA sem um modelo de governance bem definido, e dinâmico, transforma o potencial de vantagem competitiva em risco operacional.

Este contexto traz um desafio adicional às empresas e entidades que adotam ou pretendem adotar os agentes de IA. A adoção de agentes de IA não depende apenas da tecnologia. Exige preparação da administração, das equipas em geral e dos próprios processos, para que a integração seja feita com critério e gere valor. O governance deste modelo operativo é crucial para que se alcance impacto positivo e sustentável. Não há atalhos nem soluções mágicas. Há um trabalho contínuo de definição e ajustamento de funções, permissões, mecanismos de supervisão e papéis, tanto para humanos como para agentes de IA.

As instituições estão hoje a tentar acompanhar a velocidade da evolução da Inteligência Artificial Generativa, enquanto procuram reforçar as suas capacidades de governo, resiliência, aprendizagem e agilidade. Não é preciso destacar qual é mais fácil de se perceber, não é? São nestas e outras capacidades das empresas que está o real gargalo, não é na IA.

Continue a ler após a publicidade

Da geração, qualidade, gestão e controlo dos dados, à priorização de business cases e ao compliance com todas as leis e normas, são inúmeros os fatores que se tem de ter em conta quando se quer adotar Agentes sintéticos na cadeia produtiva, independentemente do setor. Não é um caminho óbvio e requer maturidade de todos os envolvidos. Se uma empresa demora demasiado a avançar, arrisca-se a perder competitividade e relevância. Se avança sem critérios, sem preparação e sem mecanismos de controlo adequados, pode colocar em risco as operações que já tem.

É por isso que a resiliência organizacional passa a assumir um papel central nesta equação. Num cenário em que a IA começa a interagir com sistemas centrais, fluxos críticos e informação sensível, as empresas precisam de garantir não apenas capacidade de inovação, mas também capacidade de absorver mudança, responder a falhas, corrigir desvios e manter confiança. As obrigações regulatórias deixam, por isso, de ser vistas apenas como imposições externas e passam a funcionar como referenciais de confiança para um ecossistema empresarial cada vez mais automatizado. A robustez tecnológica deixa de ser apenas um tema técnico para passar a ser uma condição de negócio.

Tudo isto reforça outra prioridade essencial. Há que investir na preparação e evolução contínua das pessoas. Porque, por mais evoluídos que sejam, os agentes operam com base em padrões, probabilidades e instruções. Não têm consciência ética, sensibilidade contextual ou capacidade de julgamento humano. Isso significa que a supervisão continua a ser indispensável, não como travão à inovação, mas como garantia de critério, responsabilidade e qualidade.

No fundo, os agentes sintéticos tornam-se incontornáveis porque respondem a necessidades concretas das empresas. A necessidade de ganhar eficiência, acelerar a capacidade de execução, diferenciar-se e manter relevância num contexto cada vez mais exigente. A oportunidade está em adotá-los com ambição. O desafio está em fazê-lo com responsabilidade.

 

Continue a ler após a publicidade

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.