PS isolado aprova proposta sobre tutela da Europol e Interpol

Debate parlamentar sobre a proposta de lei do Governo uniu todos os partidos da oposição na crítica a uma alegada tentativa de controlo político da investigação criminal e ataque ao Estado de direito

Executive Digest com Lusa

O PS aprovou hoje sozinho, com votos contra de toda a oposição, a proposta do Governo sobre a reestruturação do Ponto Único de Contacto para os gabinetes da Europol e Interpol.

O diploma pretende passar para o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna (SGSSI), que se encontra na dependência direta do primeiro-ministro – sendo por ele nomeado – a coordenação dos gabinetes em Portugal da Europol e Interpol, até agora sob a alçada da Polícia Judiciária (PJ), que goza de autonomia na investigação criminal.

Só o PS votou favoravelmente a iniciativa que, apesar de ter contado com os votos contra de todos os restantes partidos, foi aprovada e baixa agora à comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Na quarta-feira, durante o debate da proposta, o Governo negou qualquer intenção de “politizar o sistema de justiça” ou de violar o princípio da separação de poderes com a proposta do Ponto Único de Contacto para os gabinetes da Europol e Interpol.

A garantia foi repetida diversas vezes pela ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, num debate parlamentar sobre a proposta de lei do Governo que uniu todos os partidos da oposição na crítica a uma alegada tentativa de controlo político da investigação criminal e ataque ao Estado de direito.

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Os partidos consideram ser esta uma alteração sem justificação da tutela destes gabinetes de cooperação policial internacional.

“Que fique claro que esta alteração não retira qualquer competência a uma polícia. Repito: não retira qualquer competência a uma polícia. […] Com estas propostas legislativas não só ficará consagrada legalmente a chefia da PJ da Unidade Nacional Europol e Gabinete Nacional Interpol, mas também que o fará no quadro do ponto único de contacto, evitando dispersões, duplicações e ineficiências no funcionamento da cooperação internacional”, disse a ministra na sua intervenção inicial.

Ana Catarina Mendes sublinhou ainda que a alteração da lei pretende dar resposta a preocupações da Comissão Europeia, afirmando que “é dever de um Estado-membro cumprir as recomendações que decorram das avaliações Schengen”.

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Todos os partidos da oposição se opuseram à proposta do Governo, tendo já o Livre e o Bloco de Esquerda anunciado antecipadamente o seu voto contra, manifestando, tal como outros partidos, dúvidas constitucionais e o desejo de que a lei seja enviada pelo Presidente da República para fiscalização pelo Tribunal Constitucional.

Alguns partidos alertaram para o facto de alguém nomeado diretamente pelo primeiro-ministro e que a ele reporta, como o SGSSI, passar a ter acesso a informação criminal que pode envolver titulares de cargos políticos.

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