A inteligência artificial promete revolucionar a medicina, a indústria e praticamente todos os setores da economia. Mas, quanto mais depressa evolui, maior parece ser a preocupação de alguns dos seus principais protagonistas. E um deles é precisamente Elon Musk, um dos empresários que mais investe nesta tecnologia.
Numa entrevista à revista ‘The Economist’, destacada pelo ‘Unilad Tech’, o fundador da xAI voltou a defender que a inteligência artificial poderá ultrapassar a inteligência humana já por volta de 2031. Mais preocupante, admite que apenas cinco anos depois os seres humanos poderão deixar de conseguir controlar máquinas muito mais inteligentes do que eles.
Para explicar o seu raciocínio, Musk recorreu a uma comparação simples. Se a diferença de inteligência entre a IA e os humanos vier a ser muito superior à que hoje separa os humanos dos chimpanzés, será difícil imaginar que os seres humanos continuem a estar no comando.
Apesar deste cenário, o empresário não acredita que travar o desenvolvimento da inteligência artificial seja a solução. Pelo contrário, considera que essa evolução poderá trazer uma era de enorme prosperidade, desde que seja acompanhada por mecanismos eficazes de segurança.
É precisamente por isso que defende uma cooperação muito mais estreita entre as principais empresas do setor. Na sua opinião, gigantes como a xAI, a OpenAI, a Google DeepMind, a Anthropic e outras empresas líderes deveriam reunir-se semanal ou quinzenalmente para discutir riscos, partilhar preocupações e alertar rapidamente as autoridades sempre que identificassem potenciais problemas.
Musk afirma ter sugerido esta ideia a Demis Hassabis, diretor-executivo da Google DeepMind, que recentemente defendeu a criação de um quadro internacional para supervisionar o desenvolvimento da chamada Inteligência Artificial Geral (AGI), sistemas capazes de igualar ou ultrapassar as capacidades cognitivas humanas.
Um dos momentos mais curiosos da entrevista surgiu quando Musk admitiu que, apesar das disputas judiciais e das fortes divergências com Sam Altman, poderá ser necessário deixar as diferenças de lado “pelo bem do mundo”. O empresário considera que a segurança da inteligência artificial deve estar acima das rivalidades entre empresas.
O alerta surge numa altura em que vários especialistas têm vindo a pedir maior prudência perante a velocidade com que esta tecnologia evolui. Entre eles está Geoffrey Hinton, frequentemente apelidado de “pai da inteligência artificial”, que nos últimos anos tem repetidamente chamado a atenção para os riscos de sistemas cada vez mais autónomos e poderosos.
Ainda assim, Musk mantém uma visão ambivalente. Por um lado, acredita que a inteligência artificial poderá transformar profundamente a sociedade e gerar uma abundância sem precedentes. Por outro, reconhece que essa mesma evolução poderá tornar-se um dos maiores desafios alguma vez enfrentados pela humanidade se não existirem regras e mecanismos de supervisão capazes de acompanhar o ritmo da inovação.














