Proprietários de Sintra-Cascais pedem controlo de javalis e ICNF admite armadilhas

Presidente da Associação de Proprietários de Quintas da Serra de Sintra (APQSS) acrescentou que devido à presença de javalis há proprietários que instalaram vedações eletrificadas “à volta dos relvados, para evitar que passem”, porque “mesmo que a pessoa ponha cercas, rebentam com tudo”

Executive Digest com Lusa

A presença de javalis na serra de Sintra preocupa proprietários de quintas, que pedem ações de controlo, enquanto a Parques de Sintra reforçou a monitorização e o ICNF admite capturas com armadilhas, embora ainda não exista “um problema”.

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“Já há alguns anos que existem, mas o problema maior foi desde há dois anos, talvez, e tem vindo a agravar-se. O ano passado foi pior e este ano vamos a ver”, mas “cada vez são mais, isso não há dúvida nenhuma”, afirmou Rita de Castro Neto, acerca da presença de javalis na área protegida.

A presidente da Associação de Proprietários de Quintas da Serra de Sintra (APQSS), em declarações à Lusa, acrescentou que devido à presença de javalis há proprietários que instalaram vedações eletrificadas “à volta dos relvados, para evitar que passem”, porque “mesmo que a pessoa ponha cercas, rebentam com tudo”.

Os javalis, contou, andam “essencialmente junto às árvores de fruto, começam a foçar por baixo, à volta dos troncos, e nas hortas e nos relvados”, que frequentemente deixam com várias áreas revolvidas e relva arrancada.

“Quando é na altura dos medronhos, e das castanhas, eu percebo. Mas, os relvados não sei, é uma fixação e é impressionante, destroem tudo por onde passam”, notou, dando como exemplo danos na sua quinta e de familiares, na envolvente do Caminho dos Castanhais.

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Como se deslocam em varas, com várias crias, há também o risco de provocarem acidentes, alertou ainda Rita de Castro Neto, relatando o atropelamento de um javali por um automóvel, em abril, pela 01:30, na estrada de Galamares.

A Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), em resposta à Lusa, confirmou que “tem vindo a registar a presença de javalis em áreas sob a sua gestão, quer no perímetro florestal”, integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), “quer nos parques da Pena e de Monserrate”.

“Alguns destes registos foram obtidos através da rede de foto-armadilhagem instalada no âmbito de um estudo de inventariação de carnívoros, que permitiu igualmente detetar a presença de javalis”, indicou a sociedade, que reforçou a monitorização através de câmaras com o objetivo de “caracterizar a presença, distribuição e padrões de atividade” dos animais e “avaliar os respetivos impactos”.

A monitorização decorre desde outubro de 2025 e os dados encontram-se em análise, pelo que a PSML não pode para já “indicar com rigor o número de indivíduos”, pois “diferentes registos podem corresponder aos mesmos exemplares”, acrescentou.

“A presença tem, contudo, sido registada com frequência nas diferentes zonas monitorizadas, existindo períodos e locais em que são obtidos registos diários”, referiu a PSML, adiantando que até ao momento registaram-se “danos pontuais” na Pena e em Monserrate, mas sem colocar “em causa as respetivas coleções botânicas”.

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A sociedade admitiu ainda “a colaboração com uma universidade pública, através de protocolo”, para “aprofundar o estudo desta população e acompanhar a eficácia das medidas de gestão”.

Além disso, a empresa “reforça a importância de uma abordagem articulada à escala do território”, avaliando “mecanismos de colaboração com outros proprietários e entidades”, como a efetuada em relação à vespa asiática, “embora a gestão da população de javalis tenha características e enquadramento próprios”.

Para Rita de Castro Neto, embora os proprietários possam solicitar autorização ao ICNF para abates, “matar um javali não faz diferença”, uma vez que “o problema é de tal forma grave que já não vai lá com matar um javali uma vez por mês”.

A proprietária, que sondou o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre instalação de armadilhas na serra, mas não obteve resposta positiva, prefere a captura dos javalis com jaulas, devido ao risco de “andar aos tiros junto a casas” e numa zona protegida procurada para caminhadas.

“Ainda não está a ser um problema como em outros sítios, mas a Parques de Sintra já pediu licenças para correção de densidades”, indicou Carlos Albuquerque, diretor regional de Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo.

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Para o dirigente do ICNF, “o excesso de javalis traz problemas nas culturas, nos jardins, nos espaços verdes, nas outras espécies, nas espécies que nidificam no chão, nos pequenos mamíferos, e em Sintra-Cascais não tem predador natural”.

“No caso de Sintra-Cascais, em que nem temos caça e nem a densidade populacional ou os aglomerados nos permitem ter uma atividade cinegética convencional, temos que recorrer à correção de densidades, e se os proprietários querem ir para soluções tipo jaulas, nós não temos nada contra”, revelou.

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