Property going People

Por Mónica Pinto Coelho, MKT Director Iberia, Property Management CBRE

Se, nos últimos tempos, a palavra “desconfinamento” tem acelerado e recuado, há uma que está sempre no nosso horizonte: redefinição. No último ano e meio, desafiámos todas as fronteiras entre o mundo físico e o virtual, circunscrevemos-nos nas nossas casas e, por consequência, aumentou o nosso sentimento de pertença às (nossas) comunidades e, com ele, o reconhecimento do papel fundamental que os lugares públicos, de encontro, de convergência, desempenham enquanto meios de aproximação entre as pessoas. Quase como num cenário de pós-batalha, vamos recuperar o que nos resta, prescindir do que não nos foi essencial e redefinir o nosso futuro.

Aproximando-se o mês de setembro, no setor dos escritórios e empresas, todos nos perguntamos – desde o gestor, ao colaborador e até mesmo nos serviços – quando e como será o nosso “regresso”. O mundo agora divide-se em três partes: quem acredita que o teletrabalho é a nova Meca do work-life balance, quem almeja o dia em que pode voltar à sua vida profissional como ela era e os que acreditam num modelo híbrido de trabalho. Nestas três motivações, por mais divergentes que sejam, há uma pergunta, essa sim, bastante convergente: como é que as pessoas se vão voltar a apaixonar pelo seu local de trabalho?

O grande motor desta mudança está nas pessoas, onde estão, como se comportam, o que procuram, no que acreditam. No segmento imobiliário essa prioridade não é nova, mas ganhou agora mais estrutura, dando lugar às novas formas como olhamos um edifício de escritórios, como redefinimos o seu papel e as suas funções primordiais que hoje, mais do que nunca, vão mais além do “local de trabalho”. Foi precisamente neste sentido que foi criada, há cerca de quatro anos uma área de Marketing na CBRE ligada à gestão de ativos, tudo para assegurar que os edifícios são muito mais do que um imóvel. Neste novo paradigma, apresentamos quatro tendências ou dicas para que cada utilizador/colaborador volte a amar o seu local de trabalho.

Um edifício de escritórios pode ser uma marca

Se olharmos para o significado da palavra “marca”, é fácil entender toda a sua riqueza e tenacidade. Marca significa algo que marca, um selo, um vestígio, uma assinatura. Um edifício de escritórios abriga um conjunto de marcas num só local que pode ser também, mais do que cimento, uma insígnia. Criar uma marca para edifícios é mais do que criar um nome e logotipo: é criar um posicionamento, quer para empresas residentes, quer para os seus colaboradores.

A experiência: o poder dos momentos

Podemos dizer que as experiências que vivemos definem aquilo que somos e também podemos dizer que são as melhores experiências que nos ajudam a criar relações fortes e duradouras. É por isso que, tanto no contexto profissional, como no social ou familiar, cresce a necessidade de nos orientarmos para a materialização diária destas experiências. Um edifício de escritórios é um espaço vivo, de convívio e de encontro para as comunidades envolventes. É preciso deixar evoluir este conceito de comunidade nos nossos espaços, pois é nele que estão as pessoas. Conduzir momentos, experiências, pequenas celebrações aos residentes não é levar uma montanha a Maomé: uma palestra, uma sessão de jogos, a celebração do Dia Mundial do Café ou do Chocolate são suficientes para arrancar um sorriso e motivação para Maomé se dirigir à montanha, sem percalços e desmotivação.

Novas funções dos metros quadrados

Na esfera profissional, com o teletrabalho mais instituído, o escritório reinventa-se também, torna-se mais flexível, ganha nova dinâmica, passa a ser o espaço central onde se reúnem as pessoas, as ideias, e não apenas o local onde estas estão “a trabalhar”. Este espaço, ao invés de ficar esquecido, ganha potencial de produtividade, de criatividade e de espírito de colaboração. Isto consegue-se com recurso à mais recente tecnologia, valorizando o bem estar, o ambiente e a saúde de cada um, e de todos. Por isso, é possível que muitos postos físicos de trabalho deixem de ser estáticos e intransmissíveis e sejam criadas novas zonas de acolhimento aos colaboradores, bem como de lazer, convívio e, até, novos serviços.

Por um futuro mais consciente

O caminho já traçado antes da pandemia no sentido do aporio a causas, ao ambiente e às pessoas, intensificou-se agora mais do que nunca. Segundo dados da GWI, as empresas e setores deverão atuar com mais consciência, pois mais de 4 em 10 consumidores querem ligar-se a marcas/instituições que valorizam o meio ambiente, causas sociais e o bem estar dos seus colaboradores. Em julho de 2020, 72% dos consumidores em 20 países apontaram também que as empresas que adotam comportamentos sustentáveis foram as mais importantes para eles, no contexto da pandemia. Assim, ao pensarmos as dinâmicas dos nossos espaços de trabalho e a journey diária do utilizador nesse contexto, devemos ter em consideração estes aspetos, enquanto parâmetros essenciais para o sucesso. Edifícios mais sustentáveis, iniciativas mais criteriosas e responsáveis fomentam negócios mais arrojados, com pessoas e resultados mais conscientes.

É o rigor com que olhamos as pessoas, enquanto elemento central dos nossos ativos, e dos nossos negócios, que fará a diferença neste novo mundo que se reinventa, que ousa, que cuida, para alcançar um sucesso mais sólido, no futuro. De facto, Property is going People.

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