Produção de energia em risco: Europa Ocidental ‘sufoca’ com calor extremo

Calor na Europa está também a ser potenciado por um Mar Atlântico e Mediterrâneo excecionalmente quentes, onde as temperaturas estão 5°C acima das normais climáticas de longo prazo

Francisco Laranjeira

Uma onda de calor prepara-se para afetar a Europa Ocidental com temperaturas cerca de 10 graus acima da média para esta altura do ano, o que vai ameaçar colheitas, colocar stress nos sistemas de energia e potenciar alertas de saúde.

De acordo com a ‘Bloomberg’, na região ao redor de Sevilha, em Espanha, as temperaturas vão atingir os 42°C durante o fim de semana. A costa mediterrânica francesa atingirá os 40°C este sábado, prevendo-se temperaturas semelhantes para o sul de Itália e a Sardenha. As máximas em Londres podem chegar aos 35°C na segunda-feira. Algumas áreas não estarão abaixo dos 25°C durante a noite, aumentando os riscos para a saúde.

Isto porque, segundo Alex Deakin, meteorologista do Met Office do Reino Unido, uma queda na corrente de jato vai empurrar um sistema de alta pressão para leste: o aquecimento global está também a aumentar a intensidade e a frequência das ondas de calor, desencadeando eventos climáticos extremos, como tempestades violentas e incêndios florestais.

As autoridades de saúde do Reino Unido emitiram um alerta amarelo de calor até terça-feira para Londres e partes do sul e leste de Inglaterra. A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido alertou que as temperaturas escaldantes podem representar um risco para crianças, idosos e pessoas com vulnerabilidades médicas.

O calor já provocou tempestades violentas em França, fazendo dois mortos e 17 feridos no início desta semana. Fortes chuvas inundaram ruas da cidade, incluindo em Paris: o transporte ferroviário e rodoviário também foi interrompido, com rajadas de vento a atingir os 120 quilómetros por hora.

Continue a ler após a publicidade

Foram emitidos alertas amarelos de calor até domingo para muitas partes de Espanha, enquanto alertas semelhantes estão em vigor para quatro departamentos no sul de França. Segundo a ‘Electricite de France SA’, o calor poderia reduzir a produção dos seus reatores nucleares ao longo dos rios Garonne e Rhône, uma vez que o aumento da temperatura da água compromete as operações de arrefecimento.

O tempo escaldante representa igualmente uma ameaça à colheita de milho da Europa, sendo que as preocupações com a oferta impulsionaram os preços do grão para a paridade com os do trigo esta semana. O grupo industrial Coceral reduziu a sua previsão de produção para a época 2025-26, que começa no próximo mês.

O clima nos próximos 10 dias a duas semanas será fundamental para a colheita em França, Alemanha e partes da Polónia e Hungria, de acordo com Aurélien Blary, analista da agência de relatórios de preços ‘Expana’.

O calor na Europa está também a ser potenciado por um Mar Atlântico e Mediterrâneo excecionalmente quentes, onde as temperaturas estão 5°C acima das normais climáticas de longo prazo, de acordo com as análises do programa de satélites Copernicus da Europa.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.