Portugal mantém comércio com Espanha apesar de surto de peste suína

Diretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, Susana Guedes Pombo, afirmou à ‘Renascença’ que o país “está livre da doença”

Revista de Imprensa

Portugal não vai suspender, para já, as importações de carne de porco provenientes de Espanha, apesar do regresso da peste suína africana ao território espanhol trinta anos após o último surto. A diretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, Susana Guedes Pombo, afirmou à ‘Renascença’ que o país “está livre da doença” e defendeu que não faz sentido interromper relações comerciais com “um dos maiores exportadores de carne suína do mundo”. A posição contrasta com a decisão do Reino Unido e da China, que suspenderam temporariamente a compra de carne da região afetada.

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As autoridades espanholas encontraram cerca de 50 javalis mortos na serra de Collserola, a 10 quilómetros do centro de Barcelona, e nove casos já foram confirmados como infeções pelo vírus. A origem do surto poderá estar associada a restos alimentares contaminados, segundo o ministro da Agricultura da Catalunha. Perante este cenário, Espanha suspendeu o comércio de animais em Cerdanyola del Vallés, interrompeu a caça na região e delimitou um perímetro de segurança de 20 quilómetros.

DGAV defende confiança entre Estados-membros

Susana Guedes Pombo sublinhou no entanto que a decisão portuguesa é também “uma medida de confiança” entre Estados-membros da União Europeia, citando situações recentes como a gripe aviária em Portugal. A responsável garantiu que Portugal continuará a acompanhar a evolução do surto e a reação dos mercados, admitindo que não é possível prever eventuais impactos nos preços da carne suína. O vírus não é transmissível a humanos, mas é altamente contagioso e letal entre suínos e javalis, representando um risco sanitário relevante para o setor.

O inspetor-chefe da Agência Rural da Catalunha, Josep Antoni Mur, aguarda instruções das autoridades espanholas e da Comissão Europeia para avançar com métodos de captura e abate dos cerca de mil javalis da região. O Governo catalão alerta que ainda é cedo para conclusões definitivas.

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Vigilância reforçada e apelos à deteção precoce

Apesar de Portugal não registar casos desde 1999, a DGAV reforçou os alertas para a importância da vigilância, sobretudo junto a animais doentes ou mortos. A diretora-geral recorda que a doença é conhecida dos suinicultores e recomenda a limpeza e desinfeção regular de veículos e explorações. A comunicação com a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores e com associações de caça também está a ser intensificada.

Os principais sinais de infeção incluem febre súbita, hemorragias e abortos inesperados. A DGAV apela à participação de caçadores, produtores e cidadãos, incentivando a denúncia de animais mortos na plataforma ANIMAS, criada com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. A recolha de coordenadas permite confirmar a situação sanitária no terreno e garantir que o país permanece livre da doença.

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