Os preços globais dos alimentos atingiram o ponto mais alto em quase sete anos, agravando ainda mais a inflação alimentar e a fome numa altura em que a pandemia continua a atingir as economias de todo o mundo.
Em janeiro, o índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) subiu um décimo em relação ao ano passado, atingindo o nível mais alto desde julho de 2014. Deveu-se, em parte, ao forte aumento dos preços dos cereais.
A compra substancial de milho pela China e a produção inferior à esperada nos Estados Unidos fez com que o indicador aumentasse pelo oitavo mês consecutivo – a maior subida numa década.
Os preços ainda não estão nos níveis observados durante a crise alimentar do final dos anos 2000, mas a trajetória é motivo de preocupação, de acordo com alguns analistas. “Pode tornar-se um grande problema para os países menos prósperos que dependem das importações para alimentarem a sua população”, disse o economista sénior da FAO, Abdolreza Abbassian, citado pelo Financial Times.
A pandemia também levou os países dependentes das importações a aumentarem os inventários de cereais e oleaginosas, como a soja, e ainda o açúcar.
Os preços dos alimentos também ainda afetados pelo clima seco na América do Sul, um dos principais fornecedores de milho e soja para os mercados internacionais, enquanto as expetativas de um aumento das tarifas de exportação nos principais exportadores de trigo, como a Rússia, fizeram subir igualmente os preços.
A contínua perturbação na indústria naval é outro fator: os preços de frete de cereais e oleaginosas estão nos níveis mais elevados desde outubro de 2019, de acordo com o Conselho Internacional dos Cereais, um organismo global.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura advertiu, por último, que um declínio acentuado dos inventários globais de cereais tinham tornado os mercados mais vulneráveis a défices de produção.














