OE2023: UTAO alerta para riscos na previsão de crescimento e do défice

A UTAO alertou hoje para riscos sobre a perspetiva de crescimento económico esperada pelo Governo para 2023 e consequentemente do saldo orçamental, assinalando também a falta de informação sobre a TAP e o Novo Banco na proposta orçamental.

Executive Digest com Lusa

A UTAO alertou hoje para riscos sobre a perspetiva de crescimento económico esperada pelo Governo para 2023 e consequentemente do saldo orçamental, assinalando também a falta de informação sobre a TAP e o Novo Banco na proposta orçamental.

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Numa análise preliminar à proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), a Unidade Técnica de Apoio Orçamental questiona a “plausibilidade” da previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,3% no próximo ano.

“A enorme incerteza do contexto geopolítico, aliada às dificuldades das intervenções dos bancos centrais até à data para domar a inflação, juntamente com a degradação contínua das previsões económicas realizadas por instituições de referência, alimentam dúvidas sobre a plausibilidade do crescimento de 1,3% para o PIB real”, pode ler-se no relatório entregue hoje no parlamento.

Os técnicos que dão apoio aos deputados da Comissão de Orçamento e Finanças salientam que os riscos para esta previsão são descendentes o que se traduz em riscos também para a previsão de défice de 0,9% do PIB, inscrita pelo Governo no OE2023.

Um crescimento do PIB abaixo do esperado terá como consequências, apontam, um menor crescimento da receita de impostos e contribuições sociais e de um maior crescimento da despesa com prestações sociais e outros encargos, face ao esperado.

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“A receita fiscal e contributiva representa a maior fatia deste agregado e encontra-se muito dependente da evolução de variáveis do cenário macroeconómico, designadamente do consumo privado e das remunerações de empregados”, explica a UTAO, salientando que em 2022 a melhoria do saldo orçamental assentou no crescimento acima do previsto da receita fiscal, no contexto de retoma acelerada da atividade económica.

A UTAO admite ainda que o Governo poderá ter de adotar novas medidas de emergência ou reforçar e prolongar as existentes, identificando ainda riscos no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPP).

Os técnicos identificam ainda como riscos as linhas de crédito com garantia do Estado, que constituem responsabilidades contingentes, o atraso na implementação do Plano de Recuperação e Resiliência em 2022 e o crescimento acima do previsto na proposta orçamental das taxas de juro diretoras, com consequências para os encargos com juros.

Para a UTAO, não se pode ainda excluir riscos orçamentais associados à TAP e ao Novo Banco, criticando mesmo a falta de informação sobre estes dossiês.

“A POE [proposta de Orçamento do Estado] nada esclarece sobre um risco descendente considerável para o saldo orçamental das Administrações Públicas (AP): o Novo Banco”, refere, assinalando que o Acordo de Capitalização Contingente dá à instituição financeira o direito de solicitar ao Fundo de Resolução uma injeção até 485 milhões de euros.

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No entanto, realça que os mapas contabilísticos relevantes não contemplam uma transferência em 2023 para aquela instituição nem há nenhuma referência a esta contingência na secção intitulada “Riscos orçamentais” do Ministério das Finanças.

Considera ainda que o grupo TAP é também um fator de risco descendente, justificando que “o secretismo impera sobre eventuais encargos para os contribuintes em 2023”.

“Por um lado, o contexto económico que já aconteceu em 2022 e as perspetivas para 2023 justificam apreensão com a deterioração da situação económico-financeira do grupo. Por outro, o plano de reestruturação permanece desconhecido do público e a decisão da Comissão Europeia sobre o auxílio de Estado a conceder pelo Estado português à companhia, publicada a 18/05/2022 no jornal oficial, omite os valores monetários”, assinala.

Neste sentido, acredita que “a falta de transparência” sobre os compromissos do Estado “suscita desconfiança sobre o papel que a TAP irá ter nas contas públicas de 2023”.

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