O Irão poderá ter encontrado uma arma mais poderosa do que uma bomba nuclear. A conclusão é de vários especialistas ouvidos pela ‘Newsweek’, que defendem que o controlo do Estreito de Ormuz está a revelar-se um instrumento de pressão muito mais eficaz do que qualquer capacidade nuclear.
Seis meses depois do início da guerra entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, os analistas consideram que Teerão conseguiu transformar uma das principais rotas marítimas do mundo no seu maior trunfo estratégico, provocando perturbações no comércio internacional e nos mercados da energia.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e por ali passa uma parte significativa das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito. Sempre que o tráfego é interrompido ou condicionado, os efeitos fazem-se sentir rapidamente nos preços da energia, nos custos do transporte marítimo e na economia global.
Joshua Tallis, antigo responsável da Marinha dos Estados Unidos e atualmente diretor do programa de Segurança de Aliados e Parceiros do Center for Naval Analyses, considera que “a capacidade do Irão para impor custos económicos à economia global é, em alguns aspetos, uma arma mais poderosa do que uma bomba nuclear”.
Segundo o especialista, recorrendo a armamento relativamente barato, Teerão consegue desencadear um efeito em cadeia que obriga companhias de navegação, seguradoras e operadores marítimos a reavaliar o risco de utilizar aquela rota, com consequências económicas muito superiores ao custo das operações militares iranianas.
Tallis defende ainda que esta estratégia é politicamente mais fácil de utilizar do que uma arma nuclear e muito mais difícil de contrariar por meios militares convencionais, uma vez que os seus efeitos se propagam muito para além do campo de batalha.
A análise destaca também que esta pressão sobre o Estreito de Ormuz está a complicar os esforços diplomáticos. Enquanto Donald Trump voltou a admitir um possível acordo com Teerão, o Irão confirmou que está a negociar com Omã mecanismos para garantir a segurança da navegação naquela rota marítima.
Omã, cuja península de Musandam se situa em frente à costa iraniana, propôs um sistema voluntário de contribuições destinado a financiar a segurança da passagem pelo estreito, numa tentativa de reduzir a tensão na região.
Outro dos especialistas ouvidos pela ‘Newsweek’, o analista de segurança Mostafa Najafi, considera que os acontecimentos dos últimos meses alteraram a perceção sobre o poder dissuasor dos Estados Unidos.
Na sua opinião, caso a guerra evolua para um conflito prolongado, o Irão continuará a apostar em estratégias assimétricas destinadas a aumentar gradualmente os custos da presença militar americana na região, explorando vulnerabilidades que considera mais eficazes do que uma confrontação militar direta.
Para os especialistas, a guerra demonstra que, além da força militar tradicional, o controlo de um dos principais corredores energéticos do planeta pode tornar-se um dos instrumentos de pressão mais poderosos num conflito moderno.



















