A pandemia, e as consequências económicas que trouxe, fez com mais pessoas licenciadas arranjassem emprego no trabalho doméstico. Segundo as empresas que prestam serviços de limpeza e as agências de recrutamento ouvidas pelo Jornal de Notícias (JN), são efeitos do desemprego.
Um fenómeno parecido ocorreu durante a crise de 2008, que também levou mais licenciados para o trabalho doméstico. Desta vez, o aumento do número de candidaturas também disparou na área da hotelaria e restauração. Só, que neste setor, a procura excede a oferta, devido à crise económica gerada pela pandemia.
Uma das empresas de limpezas domésticas ouvida pelo JN, a House Shine, tem cerca de mil colaboradores, dos quais “cerca de 10%” têm licenciatura. “Temos cada vez mais pessoas licenciadas a trabalhar connosco. Há até o caso – que estranhei por ser de uma área de estudo que não era tão afetada pelo desemprego – de uma engenheira civil que foi nossa colaboradora”, afirma o gestor Cândido Mesquita.
Também uma empresa especializada no recrutamento e na seleção de serviços domésticos, a BemMeCare, aponta que o aumento dos trabalhadores licenciados na área foi “um dos efeitos da última crise económico-financeira”, que se está a sentir agora.
“Estamos a receber muitos currículos de pessoas licenciadas, que não foram colocadas nas suas áreas de formação ou de experiência, e que nunca trabalharam nesta área”, refere ao JN Inês Troni da BemMeCare. Durante os últimos três meses do ano passado, em particular, houve um ‘boom’ de autocandidaturas por parte de pessoas licenciadas e também de “trabalhadoras vindas do setor da hotelaria e da restauração que a crise atirou para o desemprego”.














