Mudar de B2B para B4B pode construir um negócio mais sustentável

Passar da mentalidade transaccional de B2B para a mentalidade colaborativa de B4B significa fazer diferentes perguntas sobre crescimento, preços e valor, gestão de talentos, e muito mais

Executive Digest

Qual é a diferença entre B2B e B4B? Pode parecer simples, mas descobrimos que o reenquadramento de uma empresa business-to-business (B2B) como empresa business-for-business (B4B) pode aumentar as receitas, a retenção de clientes e o moral dos colaboradores. E para um fornecedor de empresas alimentares, identificar-se como B4B proporcionou-lhe um sentido mais profundo de propósito que estimulou a inovação e criatividade dentro da organização.

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A Luker Chocolate fabrica e vende chocolate como ingrediente a outras empresas alimentares; um de nós (Sergio Restrepo) é vice-presidente de inovação da empresa. Há alguns anos, ele notou que os vendedores da Luker estavam a vender as commodities com descontos por volume e sabiam pouco sobre os negócios dos clientes. A mentalidade B2B da empresa significava que determinava o sucesso com base nas toneladas de chocolate vendidas – mas não compreendia realmente os clientes ou o que os poderia ajudar a progredir.

A empresa precisava de uma reforma cultural para se afastar de uma estratégia competitiva insustentável baseada no preço. Em vez de pensar em si própria como uma empresa que vendia a outras empresas, precisava de pensar em si própria como uma empresa que trabalhava para outras empresas. A sua principal métrica de sucesso precisava de ser como ajudou os clientes a crescerem e a tornarem-se mais bem-sucedidos.

Por exemplo, para ajudar o CEO de uma pequena empresa de biscoitos a fazer crescer o seu negócio, a Luker enviou peritos técnicos para o ajudarem a melhorar o seu processo de produção e a conceber uma fábrica melhor. A Luker começou a partilhar com ele informações relevantes sobre o mercado e novos conhecimentos dos consumidores. Criou uma equipa de crescimento empresarial que prestava serviços de valor acrescentado – sem custos, por enquanto – incluindo uma equipa interna de design que ajudou a empresa de bolachas a melhorar a sua embalagem. O novo visual da marca ajudou-a a colocar os seus produtos num importante ponto de venda a retalho no Canadá, um novo mercado, e impulsionou as suas vendas nos supermercados. E a Luker colaborou com o CEO para desenvolver uma forte linha de inovações na marca que impulsionaram receitas incrementais e o ligaram a potenciais clientes.

Em menos de nove meses, as vendas da Luker à empresa de bolachas duplicaram. Já não discute preços com o CEO, mas sim como ambas as organizações podem crescer de forma sustentável.

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No mundo B2B da indústria alimentar, os produtores privados ou fornecedores de ingredientes que competem pelo preço estão sempre vulneráveis a fabricantes maiores que oferecem melhores preços. Mas quando as empresas adoptam uma estratégia B4B, têm mais hipóteses de aprofundar as relações com os seus clientes. O preço torna-se apenas um dos critérios pelos quais os clientes avaliam o valor, e não o único. E, em muitos casos, nem sequer é o critério principal.

Isto é importante porque, para todos os negócios, os clientes representam uma afluência de fluxo de caixa projectada para o futuro. O valor desse fluxo de caixa depende de duas variáveis: dimensão (o volume dos fluxos de caixa) e longevidade (quantos anos a empresa pode depender disso). As empresas que integram as suas actividades em torno do sucesso dos seus clientes e monitorizam isto como uma métrica chave conseguirão gerar fluxos de caixa consideráveis e fiáveis.


REDEFINIR A EMPRESA DE B2B PARA B4B

Passar da mentalidade transaccional de B2B para a mentalidade colaborativa de B4B significa fazer diferentes perguntas sobre crescimento, preços e valor, gestão de talentos, e muito mais.

As empresas com mentalidade B2B perguntam: “Quanto podemos vender a este cliente para fazer crescer o nosso negócio” e “Qual o preço mais baixo a que precisamos de vender para ganhar dinheiro e permanecer competitivas”. B4B significa perguntar: “Como podemos ajudar os nossos clientes a crescer?” e “Qual o maior valor que podemos fornecer a este negócio enquanto nos mantemos sustentáveis?”.

“Quantos produtos posso vender a esta empresa?” torna-se “Como podemos co-criar novos produtos com este cliente e crescer juntos?”

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Em vez de se concentrar em incentivar os executivos de vendas a vender mais produtos e serviços, uma empresa B4B considera a melhor maneira de os formar para se tornarem consultores empresariais especializados e de alto valor para os clientes. E em vez de perguntarem o que poderia impulsionar as vendas no trimestre actual, os líderes deveriam perguntar que novo serviço poderia complementar a sua oferta de produtos e como criar tanto valor para os clientes que se torna muito difícil a sua deserção.

Da mesma forma, uma métrica chave para o desenvolvimento empresarial pode não ser o número de novas propostas que uma empresa enviou num determinado período, mas sim o número de novos clientes que estão a chegar devido ao que os clientes existentes estão a comentar. E em vez de perguntarem como o desenvolvimento do negócio pode ser mais agressivo, os líderes devem perguntar como podem facilitar a procura de novos clientes e a interacção destes com a empresa.

Assim que se muda a mentalidade para ver o sucesso dos clientes como fundamental para a força a longo prazo de uma empresa, abre-se a porta a um pensamento mais expansivo sobre como a empresa contribui com valor em todas as relações.

As empresas B2C que definem a missão como trabalhar para os clientes, em vez de vender aos mesmos, centram o pensamento no modo de ajudar os consumidores a terem sucesso nos empregos para os quais foram contratados – em vez de serem despedidos e substituídos por um concorrente.

O mesmo princípio aplica-se às relações com os fornecedores. O conceito business-for-business ajuda as empresas a compreender que fazem parte de um ecossistema e que devem considerar o sucesso de todos nele.

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No mundo B4B, colaboração, cooperação e benefício mútuo tornam-se temas centrais que melhoram a competitividade. “Empresas que trabalham para outras empresas” é uma lógica que melhora o ambiente empresarial, aumenta o moral dos colaboradores e, em última análise, facilita o crescimento económico. À medida que mais organizações colaboram e partilham recursos, as organizações tornam-se mais eficientes.

Indo ainda mais longe, acreditamos que se o ethos B4B permear a cultura empresarial, também irá moldar as escolhas dos líderes de forma a beneficiar as comunidades. Por exemplo, à medida que o mundo se debate com as alterações climáticas, que podem ser atribuídas às externalidades da forma como as empresas operam, uma mentalidade B4B pode ajudar a reorientar os esforços no sentido de proporcionar valor para todos – empresas, clientes e comunidades.

Os últimos dois anos de vivência com a pandemia de COVID-19 ensinaram-nos muitas lições sobre a interligação do mundo. Algumas pessoas podem sentir-se tentadas a afastar-se desta complexidade, a concentrar-se em si próprias ou nas suas organizações e naquilo que imaginam poder controlar. Mas ao adoptarmos uma mentalidade B4B e ao concentrarmo-nos em ajudar os outros, acabamos por criar muito mais valor – tanto para nós próprios como para o mundo.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 192 de Março de 2022

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