Mísseis, ogivas e laboratórios ‘secretos’: Onde é construído e guardado o enorme arsenal nuclear dos EUA?

Um destes centros é a fábrica Pantex, perto de Amarillo, no Texas, que na passada semana teve de ser evacuada devido à ameaça dos incêndios florestais naquele estado norte-americano.

Pedro Zagacho Gonçalves

O arsenal nuclear dos EUA, um dos maiores e mais avançados do mundo, inclui milhares de ogivas que podem ser lançadas a qualquer momento, tendo um poder destrutivo para arrasar cidades inteiras. Este tipo de armamento é concebido, desenvolvido e construído numa rede de instalações e centros de investigação e desenvolvimento, espalhadas por todo o país e que integram a Tríade Nuclear, a força de ataque tripartida que pode lançar ogivas nucleares a partir de ar, terra e mar.

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Um destes centros é a fábrica Pantex, perto de Amarillo, no Texas, que na passada semana teve de ser evacuada devido à ameaça dos incêndios florestais naquele estado norte-americano.

Esta fábrica tem 4 mil funcionários e é estratégica para o país, sendo o local onde são construídas a maioria das bombas, com peças produzidas por outras instalações da rede.

O Daily Mail assinala outros dos laboratórios, fábricas e centros de investigação que integram a rede da Tríade Nuclear norte-americana.

Laboratório Nacional de Los Alamos, Novo México
Talvez o local mais conhecido, até porque foi aqui que nasceu a bomba atómica. Foi berço do Projeto Manhattan, uma missão ultrassecreta do governo dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, que teve como personagem central J. Robert Oppenheimer, e que foi tema do sucesso de bilheteiras do ano passado ‘Oppenheimer’.

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Este laboratório tem um orçamento anual de perto de 4,5 mil milhões de euros e integra a Administração Nacional de Segurança Nuclear do país. Aqui trabalham atualmente mais de 14 mil pessoas, que desenvolvem quatro das sete bombas nucleares do país, a a bomba gravitacional B61, que é implantada em aeronaves, a W78, que é disparada dentro do Minuteman III, e as W76 e W88.

Laboratório Nacional Lawrence Livermore
Perto de são Francisco, aqui o foco é a engenharia de armas nucleares e testes, para além do desenvolvimento das mais avançadas tecnologias, de forma a melhorar l desempenho e nível de confiança na dissuasão nuclear do país.

Integra o ‘Superblock’, uma das duas únicas instalações de pesquisa e desenvolvimento de plutónio no âmbito da Defesa Nacional dos EUA. Tem o nome do físico Ernest O. Lawrence, inventor da máquina aceleradora de partículas ciclotrão, e está localizada em Livermore.

Planta Piloto de Isolamento de Resíduos (WIPP)
No novo México, é o único repositório geológico profundo do país para a eliminação permanente de resíduos radioativos transurânicos gerados pela defesa. Operado pelo Departamento de Energia dos EUA, iniciou atividade em março de 1999, depois de mais de 20 anos de planos.

Neste centro são armazenados resíduos radioativos, que incluem materiais contaminados com elementos artificiais mais pesados que o urânio, como o plutónio, que normalmente têm origem na produção e manutenção de armas nucleares, mas também outras atividades relacionadas com os esforços de limpeza nuclear.

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Campus de Segurança Nacional de Kansas City
No Missouri, este centro fabrica e adquire componentes não-nucleares de armas nucleares, como peças eletrónicas e mecânicas, para além de garantir apoio logísticos ao programa nuclear norte-americano. É operado pela Honeywell Federal Manufacturing & Technologies, LLC, sob contrato com a Administração Nacional de Segurança Nuclear, uma agência semiautónoma do Departamento de Energia dos Estados Unidos

Complexo de Segurança Nacional Y-12
Estas instalações têm um papel essencial no processamento, enriquecimento e fabrico de componentes de uranio para armas nucleares. Também integrou o Projeto Manhattan na II Guerra Mundial, e foi aqui que foi produzido o urânio enriquecido usado nas bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki,

Laboratórios Nacionais Sandia
Considerado o “braço de engenharia da empresa de armas nucleares dos EUA”, especializa-se em projetos, engenharia e teste de armas nucleares, bem como desenvolvimento de esforços relacionados com aumento da segurança nuclear e não-proliferação.

90ª Ala de Mísseis na Base Aérea FE Warren, Wyoming
Um dos locais onde são mantidos os mísseis Minuteman III, capazes de transportar até três ogivas nucleares. Neste local trabalham militares, civis e empreiteiros, numa missão de alta segurança e envolta em enorme secretismo.

Uma das mais antigas instalações militares dos EU (fundada em 1867), mantém e opera os mísseis balísticos intercontinentais, de forma a assegurar a sua prontidão, de forma que possam ser usados para responder a quaisquer ameaças que possam surgir á segurança nacional dos EUA.

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341ª Ala de Mísseis na Base Aérea de Malmstrom, Montana
Aqui são operados e guardados mísseis Minuteman III, tendo desenvolvido este centro papel essencial na Guerra Fria. Tem também a missão de assegurar segurança dos campos e armazéns de mísseis nos EUA, para além do pessoal e ativos que se encontram no centro.

91ª Ala de Mísseis na Base Aérea de Minot
Outro dos locais onde são operados e guardados os Minuteman III. Também é palco de exercícios regulares de treino, de forma a assegurar a proficiência e prontidão do pessoal de manuseio e operação dos mísseis balísticos intercontinentais.

No total, os EUA terão cerca de 400 mísseis balísticos intercontinentais Minuteman III, que podem transportar várias ogivas, cada uma com o poder explosivo de 335.000 toneladas de TNT, e cerca de mais 3.000 armas nucleares táticas.

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