Os confrontos entre os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, e as forças governamentais no Iémen intensificaram-se desde a madrugada de quinta-feira, aumentando receios de que a guerra civil possa abrir uma nova frente no Médio Oriente.
Pelo menos um soldado do governo foi morto e outro ficou gravemente ferido em confrontos com os Huthis na província montanhosa de Taiz, adiantaram as autoridades militares iemenitas à agência Associated Press (AP).
Os combates fazem parte de uma série de ataques recentes dos Huthis contra áreas controladas pelo governo em todo o país.
Dezenas de soldados do governo foram mortos desde a semana passada, informou o Exército iemenita.
Os Huthis reivindicaram ainda outro ataque com um drone contra uma refinaria de petróleo da Aramco na Arábia Saudita.
As autoridades sauditas não comentaram de imediato o ataque relatado na cidade de Jazan.
No fim de semana, os Huthis tinham disparado drones contra a refinaria, onde o Ministério da Energia saudita reportou um incêndio, mas sem vítimas.
O conflito remonta a 2014, quando os Huthis tomaram a capital do Iémen, Sana. A Arábia Saudita interveio no ano seguinte ao lado do governo iemenita reconhecido internacionalmente.
A violência recomeçou no Iémen, o país mais pobre da península Arábica e onde vigorava um cessar-fogo desde 2022, após os rebeldes Huthis terem lançado ofensivas em duas frentes, contra as tropas do Governo internacionalmente reconhecido do país e outra contra a Arábia Saudita.
No mês passado, os Huthis anunciaram um bloqueio à navegação saudita, ameaçando outra importante rota comercial na região.
O enviado especial da ONU para o Iémen, Hans Grundberg, alertou na quinta-feira o Conselho de Segurança que o país enfrenta atualmente a maior ameaça de um conflito em grande escala desde o cessar-fogo de 2022.
O enviado da ONU apontou também o regresso dos ataques dos Huthis contra navios mercantes no mar Vermelho e no golfo de Áden, num contexto em que “o comércio regional e os fluxos de energia já estão sob intensa pressão devido à crise no estreito de Ormuz”, resultante da guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
Estes ataques “ameaçam aprofundar o envolvimento do Iémen no conflito regional mais vasto” e põem em perigo as vidas das tripulações dos navios comerciais, avisou, bem como da população iemenita.
Por seu lado, o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, destacou, durante a sessão, que quase 11 milhões de mulheres e raparigas necessitam de apoio humanitário no Iémen e que mais de metade da população sofre de insegurança alimentar aguda.
A vencedora do Prémio Nobel da Paz, Tawakkol Karman, do Iémen, alertou também nas Nações Unidas, que os rebeldes Huthis são os principais responsáveis pelo “colapso do Estado” no seu país.
Mas a activista dos direitos humanos também culpou o Irão de apoiar os Huthis, a Arábia Saudita pela sua intervenção em nome do governo deposto pelos rebeldes, os Emirados Árabes Unidos pelo seu envolvimento no conflito e a comunidade internacional por não fazer o suficiente para proteger os civis.













