Cerca de 24% dos adolescentes que utilizam auscultadores e quase metade dos que frequentam locais com música alta, tais como discotecas, correm o risco de perder a audição devido a “práticas auditivas inseguras”, de acordo com uma análise científica.
Entre 670 milhões e 1,35 mil milhões de adolescentes e jovens adultos em todo o mundo podem ficar surdas, apontam os dados publicados British Medical Journal Global Health, o que leva os especialistas a alertar para “uma necessidade urgente” de promover hábitos de audição seguros.
“Se as pessoas forem expostas a sons altos, as células sensoriais podem ficar cansadas e eventualmente danificadas”, explicou a investigadora de pós-doutoramento na Universidade da Carolina do Sul e autora do estudo Lauren Dillard, acrescentando que “a fadiga das células sensoriais resulta frequentemente num zumbido nos ouvidos e/ou perda auditiva temporária”.
“Se as pessoas forem regularmente expostas a som alto ou prolongado, este dano pode tornar-se permanente, o que pode levar a perda auditiva irreversível, zumbido ou ambos”, frisou. Para a comunidade científica, qualquer exposição prolongada a sons acima dos 80 decibéis põe em risco a saúde auditiva a curto, médio ou longo prazo, dado que a audição é danificada.
Numa discoteca, a música está, por norma, a 100 decibéis, enquanto que 50 ou 60 decibéis é o som do trânsito numa rua ruidosa. Os limites de volume típicos situam-se entre 75 e 105 decibéis, limiares que, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), são “motivo de preocupação”.
Os danos para a saúde auditiva são influenciados pela intensidade do ruído e pelo tempo de exposição. De acordo com um relatório, mais de 430 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de perda auditiva, relata a OMS ao informar que as pessoas que utilizam dispositivos áudio portáteis podem ser expostas a 100 decibéis durante 15 minutos, já um trabalhador industrial, num dia de trabalho, pode estar exposto a 85 decibéis ao longo de oito horas.
Os autores do estudo, que consideraram como práticas inseguras a exposição a mais de 80 decibéis durante 40 horas por semana, concentraram-se em dois fenómenos de risco: a utilização de dispositivos áudio, tais como telemóveis ou dispositivos para ouvir música com auscultadores, e a presença em locais de entretenimento ruidosos.
Nesta pesquisa foram compilados cerca de 30 estudos que permitiram recalcular a prevalência de jovens expostos a práticas auditivas arriscadas, contudo os autores admitem que as conclusões científicas sobre a extensão do impacto destas práticas na saúde variam.














