‘Lodo’ negro no ralo do lavatório: o que é e como o eliminar?

Uma substância negra, de aspeto gelatinoso, pode acumular-se no ralo do lavatório da casa de banho e provocar escoamento lento ou odores desagradáveis.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma substância negra, de aspeto gelatinoso, pode acumular-se no ralo do lavatório da casa de banho e provocar escoamento lento ou odores desagradáveis. Apesar de a sua aparência poder causar preocupação, trata-se de uma ocorrência comum e, em geral, inofensiva, que pode ser resolvida com uma limpeza regular.

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O HuffPost explica que esta acumulação resulta da mistura de resíduos de produtos de higiene pessoal com cabelos, células mortas da pele e outros materiais orgânicos que descem pelo ralo. Hendrik Vandepoll, canalizador especializado e coproprietário da Service Force Plumbing, no estado norte-americano de Maryland, descreve o fenómeno como «extremamente comum» nos lavatórios das casas de banho.

A substância não corresponde a um refluxo de esgoto nem é, por si só, bolor, embora possa conter pequenas quantidades de fungos. «É antes um biofilme que prospera na humidade do ralo do lavatório», explicou Vandepoll. Segundo o canalizador, o processo começa quando bactérias e outros microrganismos formam uma película pegajosa, capaz de reter pasta dentífrica, sabonete, espuma de barbear, células mortas da pele e outros resíduos orgânicos. Com o tempo, estes materiais acumulam-se e dão origem à camada negra que pode ser vista — e, por vezes, cheirada — no interior do ralo.

A acumulação é particularmente frequente nos lavatórios das casas de banho porque, em regra, por estes passa menos água do que pelos ralos de outras zonas da casa. Tyler Pittenger, especialista em desentupimentos da Service Force Plumbing, explicou que o lavatório é utilizado em breves momentos: a água corre enquanto se lava a boca ou as mãos e a torneira é logo fechada. Já o duche, a banheira ou o lava-loiça da cozinha recebem maiores volumes de água, que tendem a arrastar o biofilme. No ralo do lavatório, pelo contrário, os resíduos permanecem num ambiente escuro e húmido.

O biofilme também não fica necessariamente limitado ao tampão. De acordo com Vandepoll, pode estender-se por vários centímetros para o interior da parte superior do ralo, acumular-se por baixo do tampão e avançar até ao canal de transbordo do lavatório.

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Como limpar o lodo negro do ralo
Na maioria dos casos, é possível remover a acumulação sem recorrer a um canalizador. Kelly Ireland, canalizador especializado de Filadélfia e proprietário da TPG Mechanical LLC, afirmou receber muitas chamadas relacionadas com escoamentos lentos e maus odores provocados por resíduos acumulados. A maior parte das situações, explicou, é resolvida por telefone, através de orientações dadas aos clientes.

Pittenger sublinhou que, embora o lodo possa dificultar o escoamento e causar cheiros desagradáveis, geralmente não representa motivo de preocupação. Ainda assim, recomenda-se a limpeza regular do ralo.

O primeiro passo consiste em identificar o tipo de tampão e perceber como o retirar. Nos modelos tradicionais, existe uma haste junto à torneira que permite abrir e fechar o ralo. Para remover o tampão, é necessário aceder à parte inferior do lavatório, desapertar a porca e retirar a haste horizontal, libertando assim a peça.

Nos modelos mais recentes, o mecanismo funciona através de um botão que se pressiona para abrir ou fechar o ralo. Habitualmente, estes tampões podem ser retirados puxando-os para cima ou rodando-os antes de os puxar.

Ireland aconselha a consultar vídeos que expliquem o procedimento antes de desmontar o mecanismo. «Às vezes, podem partir-se quando os desmontamos», alertou, recomendando que se tenha um canalizador contactável caso a operação não corra como previsto.

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Depois de retirar o tampão, a limpeza pode ser feita com uma escova e sabão. Pittenger considera a escovagem física «um método perfeitamente eficaz», sem necessidade de recorrer obrigatoriamente a produtos químicos ou lixívia. Uma escova comprida, própria para garrafas, pode ajudar a alcançar as zonas mais profundas do ralo.

Também é possível utilizar produtos de limpeza ou sprays antibacterianos, se essa for a preferência, acrescentou o especialista. É importante, porém, limpar o melhor possível o canal de transbordo, onde o biofilme também pode acumular-se e passar despercebido.

Se a limpeza não melhorar o escoamento, o problema poderá estar no sifão — a secção de tubo em forma de U situada por baixo do lavatório — ou numa obstrução mais abaixo na canalização, explicou Pittenger.

Para odores persistentes associados à acumulação de lodo, Ireland prefere produtos de limpeza com lixívia e efeito de espuma, como o Clorox Bathroom Disinfecting Cleaner. A técnica consiste em pulverizar o produto no lavatório, deixar a espuma descer pelo ralo e atuar durante algumas horas, antes de deitar água quente para remover os resíduos. Ireland recomenda ainda aplicar o produto no orifício de transbordo, uma vez que também aí podem desenvolver-se bactérias.

A lixívia nunca deve ser misturada com outros produtos de limpeza, incluindo desentupidores ou vinagre. A combinação pode libertar vapores tóxicos perigosos para a saúde.

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É possível impedir que o lodo volte a aparecer?
Eliminar totalmente a acumulação é difícil. Ireland considera que isso só seria possível deixando de encaminhar pelo ralo os fluidos corporais e os produtos que normalmente são usados no lavatório.

Ainda assim, algumas medidas podem atrasar o reaparecimento do biofilme. Vandepoll sugere deixar correr água quente regularmente pelo ralo. O canalizador ressalva, porém, que existem várias reentrâncias e zonas de difícil acesso onde os resíduos podem permanecer. Por isso, o biofilme tende a voltar a formar-se com o tempo, tornando necessária uma nova limpeza.

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