Julgamento do ativista que interrompeu António Costa conhece hoje sentença

O julgamento do ativista ambiental que interrompeu em 2019 um discurso do primeiro-ministro tem a leitura da sentença marcada para esta quinta-feira, com a defesa a pedir a absolvição e o Ministério Público (MP) a defender a condenação.

Executive Digest com Lusa

O julgamento do ativista ambiental que interrompeu em 2019 um discurso do primeiro-ministro tem a leitura da sentença marcada para esta quinta-feira, com a defesa a pedir a absolvição e o Ministério Público (MP) a defender a condenação.

Francisco Pedro, mais conhecido como “Kiko”, vai conhecer a sentença da juíza Sofia Claudino na quarta e última sessão deste julgamento, a partir das 09h30, no Campus da Justiça, em Lisboa, estando acusado do crime de desobediência qualificada.

Nas alegações finais, realizadas no passado dia 2, o advogado do ativista, Sérgio Figueiredo, solicitou a absolvição do arguido por entender que não se tinham demonstrado factos que estavam a ser imputados a Francisco Pedro, nomeadamente ser ou não o responsável pela organização do protesto no discurso de António Costa. Já o procurador do MP, André Canelas, pediu a condenação do ativista ambiental através de uma multa.

O caso teve lugar numa cerimónia de aniversário do Partido Socialista (PS), em Lisboa, durante um discurso do secretário-geral do PS, António Costa, em que Francisco Pedro tentou chegar ao microfone para tomar a palavra e contestar a expansão do aeroporto de Lisboa e a construção de um novo no Montijo.

Na altura, em menos de meio minuto, os jovens foram retirados do palco e António Costa prosseguiu o seu discurso. De forma inesperada e durante a cerimónia, os ativistas do coletivo ATERRA aproximaram-se do palco e lançaram aviões de papel, mostrando também um cartaz onde se lia “Mais aviões só a brincar”.

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Francisco Pedro revelou ainda ter sido agredido por um elemento do corpo de segurança do primeiro-ministro depois de ter sido retirado do palco e ser levado para o exterior, onde foi depois entregue à Polícia de Segurança Pública (PSP), que o identificou em alternativa a ser transportado para a esquadra. No entanto, não veio a apresentar queixa por essa situação, considerando que se tratava de “questões menores”.

Em julgamento, o ativista contestou a tese do MP e recusou estar em causa uma manifestação organizada – e não autorizada pela Câmara de Lisboa, como argumenta a acusação -, mas sim uma “ação espontânea” de liberdade de expressão e para denúncia de um crime.

“Não me revejo na narrativa dos factos [da acusação]. Parece uma narrativa montada. Havia a necessidade de expressar este crime que foi falado. Participei numa ação, cordialmente, pacificamente. Num momento que senti oportuno subi ao palco para tentar ler um comunicado”, disse.

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Em comunicado enviado na quarta-feira às redações, o coletivo ATERRA, que esteve presente no exterior do tribunal durante a primeira sessão do julgamento, manifestou-se convicto na absolvição do arguido.

“A campanha ATERRA está convicta de que este processo, que apenas pretendia intimidar quem age perante o ecocídio em curso, terminará com uma absolvição. E apela a todas as pessoas para se mobilizarem contra o verdadeiro crime: para superar a crise climática e ecológica, a expansão do aeroporto de Lisboa não pode sair do papel. São o governo e a concessionária dos Aeroportos de Portugal, a multinacional Vinci, que devem ser julgados”.

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