O governo do Irão anunciou esta segunda-feira o início dos procedimentos para enriquecer urânio a 20% nas instalações da fábrica em Fordow, um complexo subterrâneo nos arredores da cidade de Qom, o que constitui um nível de enriquecimento de urânio anterior ao acordo nuclear assinado em 2015.
O porta-voz do governo iraniano Ali Rabiei detalhou que a injeção de gás nas centrífugas começou “há algumas horas”, após uma ordem assinada pelo Presidente Hasan Rohani. O processo foi notificado por Teerão à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
A decisão surge depois de o Parlamento ter aprovado, em dezembro, um projeto de lei que exige que a Organização da Energia Atómica do Irão (OEAI) produza pelo menos 120 quilos de urânio enriquecido a 20% anualmente, em resposta à saída dos Estados Unidos do acordo em 2018 e à falta de compensação por parte dos outros signatários.
Neste sentido, Ali Rabiei declarou que a posição do governo sobre esta questão é conhecida e salientou que o executivo deve cumprir a legislação, de acordo com a agência noticiosa iraniana IRNA. Trata-se da mais recente violação iraniana do acordo nuclear de 2015.
Contudo, o próprio Presidente do Irão salientou, em dezembro, que a lei aprovada pelo Parlamento “não era inteligente” e advertiu que poderia prejudicar as relações com a AIEA e tornar mais difíceis as conversações com os EUA, após a chegada de Joe Biden à Casa Branca a 20 de janeiro.
Por outro lado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Katibzadé, ressalvou que “não houve, não está a haver e não haverá qualquer negociação sobre as capacidades de defesa do Irão”, disse Katibzadé, citado pela agência noticiosa iraniana Tasnim.
O país já tinha violado o limite de pureza a que pode enriquecer urânio – 3,67%, estabelecido no acordo – mas ainda só tinha chegado aos 4,5%.














