Férias: entre a gestão orçamental e o algoritmo

Opinião de Hugo Lousada, Diretor de Marketing, B2B & B2C do Cetelem em Portugal

Executive Digest

Por Hugo Lousada, Diretor de Marketing, B2B & B2C do Cetelem em Portugal

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As férias continuam a ser um dos momentos mais aguardados do ano, mas antes de chegarmos ao destino há um percurso que começa muito antes de se fazer as malas. Definir um orçamento, comparar dezenas de opções, acompanhar a evolução dos preços, encontrar o alojamento certo, são passos que fazem parte do processo. Nunca tivemos tanto acesso a informação e a ferramentas para nos ajudar a planear uma viagem, no entanto, nunca decidir sobre as férias pareceu exigir tantas decisões e ponderação.

Os dados mais recentes do Observador Cetelem mostram precisamente essa mudança. Os portugueses continuam a dar prioridade às férias, mas estão a decidir de forma diferente. Cerca de 78% já tem o seu principal período de férias planeado em maio. Mas num contexto marcado pela inflação e pela pressão sobre o rendimento disponível, o orçamento assume um papel cada vez mais determinante na escolha do destino, levando as famílias a conciliar a vontade de descansar com uma gestão mais rigorosa das suas finanças.

Os consumidores estão mais atentos, pesquisam mais, comparam mais e procuram retirar o maior valor possível do orçamento definido para as férias. O objetivo não é apenas gastar menos, mas fazer melhores escolhas. Preservar o descanso continua a ser uma prioridade, mas fazê-lo exige hoje escolhas mais informadas.

É precisamente neste contexto que a tecnologia ganha um novo protagonismo. Ferramentas de Inteligência Artificial (LLM’s – Large Language Models) – como o ChatGPT, Gemini, entre outras – ajudam a descobrir destinos, comparar opções, construir roteiros especializados ou encontrar soluções mais ajustadas ao orçamento de cada pessoa. O algoritmo surge assim como um aliado na gestão das férias, permitindo simplificar decisões.

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Mas há um aspeto particularmente interessante. Apesar de 62% dos portugueses já utilizarem ou ponderarem utilizar ferramentas de IA para planear as férias, quando chega o momento da decisão continuam a confiar sobretudo nas recomendações de familiares e amigos. A tecnologia ajuda-nos a organizar a informação e a explorar alternativas, mas a confiança, essa, continua a ser humana.

Talvez seja precisamente esta a principal conclusão do estudo. A evolução tecnológica não está a substituir o julgamento humano, está a complementar a forma como tomamos decisões. Os consumidores querem mais informação e mais personalização, mas continuam a valorizar a confiança e a experiência quando fazem escolhas importantes.

No fundo, as férias são apenas um exemplo de uma transformação mais profunda. Hoje temos mais informação, mais ferramentas e maior capacidade para planear. É expectável que a Inteligência Artificial continue a ganhar espaço neste processo. Mas os dados sugerem que o seu maior contributo não estará em decidir por nós, mas em ajudar-nos a decidir melhor. Porque, no final, o algoritmo pode sugerir o destino ideal, mas continua a ser o equilíbrio entre orçamento, confiança e prioridades de cada um que determinará a melhor viagem.

Boas férias.

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