Ex-funcionário da Apple teria aproveitado bug interno para levar segredos à OpenAI

O processo judicial movido pela Apple coloca em lados opostos duas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Executive Digest

A Apple abriu um processo contra a OpenAI, no dia 10 de julho, acusando-a de ter roubado segredos comerciais para criar hardware próprio. Segundo a empresa, a OpenAI teria aliciado os seus funcionários e convencido-os a entregar material confidencial, como projetos de produtos e outras informações protegidas.

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No centro das acusações está Chang Liu, ex-engenheiro do iPhone. Segundo informações do processo que foram divulgadas recentemente, ele teria aproveitado uma falha de software para ter acesso contínuo aos servidores internos da Apple — quando já trabalhava para a OpenAI.

Com a ajuda de uma funcionária que permanecia na Apple, Alyssa Peng, Chang teria usado esse acesso para descarregar apresentações, projetos de hardware, detalhes de fabricação e informações sobre testes de produtos.

No total, mais de 400 funcionários deixaram a Apple para trabalhar na OpenAI — incluindo Peng.

Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, disse que a empresa está a analisar o processo aberto pela Apple. No entanto, negou as acusações de roubo de informações. “Não temos interesse em segredos comerciais de outras empresas”, relatou.

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Processo opõe gigantes da tecnologia

O processo judicial movido pela Apple coloca em lados opostos duas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

A Apple, famosa por produtos como o iPhone, o MacBook e o iPad, é uma empresa cotada em bolsa com sede na Califórnia, nos Estados Unidos. As suas ações são negociadas na NASDAQ, que concentra papéis de tecnologia. Em outros países, como Portugal, a negociação de ações de empresas como a Apple está disponível por meio de derivativos. Esse instrumento permite o investimento indireto, com base no preço de referência das ações negociadas em outros países.

No início de 2026, a Apple Inc. tinha o segundo maior valor de mercado do mundo, cerca de US$ 4 biliões, o que a colocava atrás apenas da NVIDIA Corporation.

Ao contrário da Apple, a OpenAI é uma empresa de capital privado. Com uma estrutura híbrida composta pela OpenAI Foundation (organização sem fins lucrativos) e pelo OpenAI Group PBC (Public Benefit Corporation com fins lucrativos), recebe financiamentos massivos de capital de risco e de outras empresas de tecnologia, como a Microsoft.

Apple e OpenAI eram parceiras

Antes do processo da Apple contra a OpenAI, as empresas tinham uma relação de cooperação no uso de inteligência artificial (IA).

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A parceria foi anunciada durante a Worldwide Developers Conference (WWDC) da Apple, em 2024. Sam Altman, CEO da OpenAI, estava na plateia.

O objetivo era integrar o ChatGPT, a interface de IA da OpenAI, em produtos como o iPhone e o iPad. No entanto, aos poucos, a relação entre elas deteriorou-se.

Em 2025, a OpenAI comprou a startup de dispositivos de IA io Products, fundada por Tang Tan, Jony Ive e Evans Hankey, todos ex-funcionários da Apple. A operação foi avaliada em aproximadamente US$ 6,5 mil milhões.

Em seguida, com o aumento das contratações pela OpenAI, ficaram claros os planos da empresa de IA de passar a desenvolver hardware, tornando-se concorrente direta da Apple.

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