Europa dividida no combate contra a crise energética
Os ministros da Energia da União Europeia preparam-se para mais uma discussão sobre a forma de amortecer o impacto da subida dos preços da energia nas contas das pessoas e empresas.
Os ministros da Energia da União Europeia preparam-se para mais uma discussão sobre a forma de amortecer o impacto da subida dos preços da energia nas contas das pessoas e empresas.
Na reunião de emergência agendada para hoje no Luxemburgo, os ministros vão discutir como é que a UE poderá complementar as medidas já tomadas pelos Estados-Membros e o que poderá ser feito a médio prazo para evitar futuros choques nos preços.
Vários países pedem que a UE recorra a novos instrumentos de intervenção, mas um grupo de nações, como a Áustria, a Dinamarca, a Finlândia e os Países Baixos, estão dispostos a argumentar que a caminhada é temporária e não deve conduzir a alterações precipitadas nas leis energéticas do bloco e nas suas ambiciosas metas climáticas, de acordo com uma declaração conjunta, publicada esta semana.
“À medida que os aumentos de preços têm motores globais, devemos ter muito cuidado antes de interferir no funcionamento dos mercados da energia”, alerta a lista de países de quem também faz parte a Alemanha, a Estónia, a Irlanda, o Luxemburgo e a Letónia.
A crise energética sem precedentes tornou-se uma das questões mais quentes à medida que o bloco de 27 nações avança para a temporada de inverno, com as famílias a enfrentarem aumentos de dois dígitos nas faturas de eletricidade e alguns gigantes industriais a reduzirem a produção.
A reunião de terça-feira surge na sequência de uma discussão na semana passada sobre a crise numa cimeira com os líderes da UE, que desvendou os apelos de alguns países para que se corrija rapidamente as leis do bloco e a estratégia do Green Deal para tornar a economia sustentável. A maioria dos países já reduziu impostos ou aprovou subsídios para ajudar as famílias e as empresas, e são poucos os instrumentos que restam que são tecnicamente possíveis e politicamente agradáveis.
Espanha e a Grécia pediram a criação de uma plataforma comum para a compra de gás natural. A França pede uma revisão do desenho do mercado de energia e a Polónia quer mudanças imediatas no mercado de carbono da UE para travar a especulação.
Em Portugal, há dois dias, o Primeiro-ministro, António Costa, revelou que os 27 Estados-membros reafirmaram a “necessidade de acelerar o processo de transição energético” e de valorização das “energias renováveis”.
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Segundo o Governante, a Comissão Europeia quer perceber se “há vantagens em podermos reproduzir, na área dos combustíveis, um mecanismos de compra conjunta que tantos resultados deu na compra das vacinas e se se continua a ser válida a ideia de que o atual processo de fixação dos preço, de natureza marginalista, ou seja, pagando a todos pelo preço mais elevado que é pago a cada fornecedor, ou se se deve alterar estas regras para que o custo das energias renováveis não seja penalizado”.
Para os países do bloco é importante, segundo António Costa, “reforçar a criação de um mercado europeu da energia”, de modo “a reduzirmos os preços do conjunto”. “Foi por isso reafirmado a necessidade de aumentarmos as interconexões e as interligações no conjunto da Europa e designadamente entre a Península Ibérica e a Europa”.