A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) oficializou ontem a aprovação de uma série de fundos negociados em bolsa (ETFs) com exposição direta à Bitcoin. As negociações começam esta quinta-feira.
Esta aprovação representa um marco importante na integração do Bitcoin ao mercado financeiro tradicional.
O arranque da negociação está agendado para hoje, não apenas para este instrumento, como também para outros 10 ETFs semelhantes, que viram o supervisor liderado por Gary Gensler autorizar os seus lançamentos nesta ronda de aprovações.
Gary Gensler assegurou que o supervisor vai “investigar de forma exaustiva qualquer fraude ou manipulação nos mercados, incluindo esquemas que recorram às redes sociais”.
Recorde-se que o mercado das criptomoedas registou uma revalorização de mais de 120% no ano passado. Grande parte desta recuperação deveu-se, precisamente, às propostas de ETFs de Bitcoin, que ajudariam os investidores institucionais a entrar plenamente nestes ativos graças à existência de um produto regulado.
“Os investidores institucionais que, até certo ponto, foram mantidos fora do espaço das criptomoedas, podem agora obter exposição por meio de um instrumento regulado”, sublinha a empresa de investimentos eToro.
O mercado está expectante com a atração de investidores institucionais, no entanto, Steven McClurg, cofundador e CIO da Valkyrie Investments, revelou ao The Block a necessidade de tempo para que os consultores financeiros possam observar e compreender a negociação desses novos produtos antes de recomendá-los aos clientes. A maioria exige um histórico de dois a três anos antes de adotar um ETF.
O que é um ETF?
“É um veículo de investimento que oferece uma exposição diversificada a um ou vários mercados. Pode investir em ações, obrigações, commodities, moedas ou numa mistura de ativos. Ao comprar unidades de participação, os investidores adquirem indiretamente uma pequena parte dos ativos detidos pelo ETF e proporcional ao valor do montante aplicado”, considerou Jorge Duarte, especialista da DECO-PROTESTE.
Trata-se de um fundo de investimento negociado em bolsa, no qual pode comprar ‘partes’ como compra ações de uma empresa. Outra vantagem: pode fazê-lo sempre que quiser, desde que a bolsa esteja aberta. Pode mesmo comprar um ETF de manhã e vendê-lo à tarde.
Qual o seu comportamento?
Este fundo pode seguir o comportamento de vários tipos de ativos. Destacam-se:
– Ações: é a categoria de ETF mais negociada a nível global, que replica o comportamento de um índice acionista;
– Matérias-primas: este tipo segue a variação de preços das matérias-primas, seja petróleo, ouro, gás natural, entre outros;
– Obrigações: seguem índices de obrigações, como as governamentais ou de empresas.
Que vantagens oferece?
Investir num ETF de ações tem as suas mais-valias. Em relação à forma como pretende usar o ETF, a ‘BlackRock’ dividiu os resultados possíveis em três:
– Diversificação a baixo custo: é aconselhada a construção de uma carteira com ativos diversificados numa única transação.
– Procura de rendimento: os ETFs oferecem a negociação e a flexibilidade das ações mas com mais diversificação.
– Preparação para enfrentar os problemas de mercados: este ativo reduzir a volatilidade da carteira dos investidores.
Tem implicações fiscais?
Sim. As vendas de ETF, assim como os respetivos ganhos/perdas, têm obrigatoriamente de ser inscritas na declaração anual de IRS. O saldo de mais e menos-valias é tributado à taxa autónoma de 28%. Também convém declarar os dividendos recebidos para poder ser ressarcido em caso de dupla tributação internacional. Não sendo obrigatória pode ser vantajosa.




