SCPI – A solução de investimento que os portugueses (ainda) não descobriram

Opinião de Marcelo Capitão, sales director da Corum Investments Portugal

Executive Digest

Quando refletimos sobre como tornar Portugal extraordinário, pensamos frequentemente em inovação tecnológica, atração de talento e competitividade fiscal. Mas há um pilar essencial que não pode ser ignorado: a forma como as famílias portuguesas gerem e rentabilizam as suas poupanças.

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Com os depósitos a prazo a oferecerem baixas rentabilidades, a perda de poder de compra é cada vez mais evidente. Há uma pergunta que me fazem quase diariamente: “Onde posso investir o meu dinheiro de forma inteligente, sem me tornar especialista em mercados financeiros?”

A resposta que dou, raramente é a que as pessoas esperam. Não falo de ações ou criptomoedas e também não falo de fundos de investimento tradicionais. Falo das SCPI. E é aqui que começa sempre a mesma expressão: um olhar de surpresa e de genuíno desconhecimento.

O caminho para uma economia extraordinária deve ser feito através de alternativas maduras, há muito estabelecidas noutros mercados europeus, como é o caso das SCPI, as Sociedades Civis de Património Imobiliário.

Nascidas em França em 1996, as SCPI não são um produto novo. Trata-se de uma forma de investimento coletivo que permite a qualquer pessoa, a partir de valores acessíveis, tornar-se co-proprietária de um conjunto diversificado de imóveis comerciais (escritórios, comércio, logística e saúde) espalhados por toda a Europa. A dinâmica é simples: a sociedade gestora compra os imóveis, arrenda-os a empresas sólidas e distribui as rendas aos investidores.

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O imobiliário continua a ser, para a maioria dos portugueses, sinónimo de comprar um apartamento para arrendar. Conheço bem esse raciocínio: é tangível, concreto e o que os nossos pais fizeram. Mas este modelo tem custos elevados de entrada, exige gestão ativa e concentra o risco num único ativo e localização.

No entanto, o que torna as SCPI uma classe de ativos particularmente vital para a modernização das poupanças em Portugal é a sua notável resiliência ao longo de mais de 45 anos de história. Os dados do mercado mostram que as SCPI atravessaram a crise imobiliária dos anos 90, o colapso financeiro de 2008 e a recente pandemia de COVID-19, mantendo sempre rendimentos positivos. De facto, nas últimas três décadas, a rentabilidade média anual do setor oscilou historicamente numa faixa muito estável, entre os 4% e os 8%.

É de notar que nenhum investimento é isento de risco e os rendimentos passados não garantem resultados futuros. Com uma volatilidade histórica em torno dos 4% (muito próxima das obrigações), as SCPI entregam rentabilidades que se aproximam das ações, mas sem a volatilidade da bolsa.

O que afirmo, com convicção, é que as SCPI são um instrumento sério, regulado, transparente, e que durante demasiado tempo ficou reservado ao mercado francês enquanto os portugueses continuaram a olhar apenas para o mercado imobiliário doméstico ou para os tradicionais depósitos a prazo.

Um “Portugal Extraordinário” constrói-se com cidadãos e investidores com conhecimento de causa e que procuram soluções reguladas para proteger o seu futuro. O perfil do investidor português já está a mudar. Desmistificar soluções que, em países como França, Holanda e Bélgica, são hoje centrais e recomendadas pelos gestores de património, é um passo decisivo. Afinal, um país extraordinário começa com famílias financeiramente robustas e preparadas para o longo prazo.

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