Ensaio. BMW 230i: último guardião da marca não é elétrico, não é SUV — é feito para conduzir

Jorge Farromba explica o que torna este modelo alemão uma delícia para todos aqueles que genuinamente gostam de conduzir

Jorge Farromba

Hoje o mercado vive dominado por elétricos e, na maior parte dos casos por SUV elétricos com muitos assistentes digitais e também concebidos para agradar aos vários algoritmos. Mas este BMW que trago para ensaio é cada vez mais uma raridade; foi desenhado para quem gosta genuinamente de conduzir.

Não é um SUV nem é um crossover nem quer ser um automóvel familiar. É um coupé compacto premium do segmento D, com duas portas, quatro lugares e aquela configuração mecânica que honra décadas da tradição da marca bávara, com o seu motor longitudinal, tração traseira e a distribuição de massas próxima do ideal.

O desenho é uma clara herança dos grandes BMW coupé, com o seu capot longo, habitáculo recuado, traseira curta e os guarda-lamas musculados.

Creio que se faz justiça dizer que existem referências subtis mas evidentes ao lendário BMW 2002, principalmente na assinatura luminosa dianteira e na zona lateral. Depois, o pack desportivo reforça, por um lado, a presença visual, com os pára-choques específicos, suspensão desportiva, jantes exclusivas e alguns elementos aerodinâmicos que o tornam mais agressivo mas sem num cair no exagero estético.

Por outro lado, ao vivo transmite muito daquilo que as fotografias não conseguem captar: largura visual, uma superfície que se impõe e uma sensação de robustez estrutural que sempre moldou esta marca.

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O desenvolvimento dinâmico deste BMW foi feito na Alemanha com os habituais testes de resistência a altas velocidades, testes ao comportamento dinâmico e também a afinação do chassis. E debaixo deste capot longo encontramos um motor BMW turbo de quatro cilindros, dois litros, mais de 240 cavalos e com uma caixa automática de oito velocidades. A tração é traseira, como se impõe num desportivo e a velocidade está limitada a 250 km/h.

Mas mais importante que os números é a forma como é que este motor entrega a sua potência; não é a resposta explosiva mas  progressiva, linear e extremamente utilizável em estrada real. Algo que se tornou raro na altura em que muitos privilegiavam o efeito imediato em detrimento da naturalidade.

Existem automóveis rápidos, outros eficazes e depois automóveis que comunicam. E este BMW pertence a esta última categoria. Por exemplo, nas estradas nacionais aquilo que impressiona não é a velocidade absoluta, mas a qualidade da interação entre o condutor, a direção e o chassis. Por um lado, a direção tem uma precisão elevada; o eixo dianteiro responde com rapidez e a traseira acompanha tudo  de uma forma estruturada e previsível. A suspensão está ali para oferecer aquele raro equilíbrio entre o controlo de movimentos e o conforto; mesmo quando o piso não é perfeito – e Portugal é pródigo nisso -, o BMW mantém a compostura, a estabilidade e o refinamento.

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O 230i da BMW convida genuinamente a procurar mais uma curva na nossa estrada.

O interior mantém o habitáculo orientado para o condutor. A posição de condução é, no mínimo, muito boa e envolvente. Os bancos elétricos oferecem o apoio lateral adequado e a suspensão não compromete o conforto. A qualidade dos materiais é BMW!

Atrás, o espaço obviamente é bastante condicionado pelas características do modelo mas este não é o automóvel que quer ser familiar. A bagageira, por um lado, é muito boa. O sistema multimédia que a BMW utiliza é bastante natural, inteligente e intuitivo mantendo uma experiência tecnológica que complementa a condução em vez de a substituir.

Disse, no início, que as fotografias não conseguiam mostravam algumas áreas e uma delas é a  sensação de solidez e estrutural do BMW 230i, onde as portas continuam a ser pesadas, os painéis rígidos – qualidade de construção – e o esquecimento recorrente de incluir vibrações e ruídos parasitas.

Em resumo, este BMW 230i não é declaradamente um automóvel para todos. É claramente direcionado para entusiastas da condução, clientes premium que não querem um SUV; público alvo algures entre os 35 e os 60 anos que valorizam a dinâmica muito acima das modas.

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A proposta de valor deste BMW é bastante simples: não tenta seguir tendências; enquanto muitos construtores automóveis abandonam os coupés compactos de tração traseira a BMW continua a oferecer esta arquitetura de condução pura  e talvez seja esta a sua maior inovação. Não quer impressionar com números extravagantes nem com promessas de futuro, mas faz a sua conquista do mercado através da engenharia da precisão, da comunicação mecânica e da autenticidade. É certo tudo isto tem um preço à volta dos 62.000€, mas compensa!

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