Há automóveis que evoluem e há outros que redefinem paradigmas; o Ioniq 5 pertence claramente a esta última, não por rutura absoluta mas pela forma cirúrgica como aperfeiçoou uma base já consagrada e a transforma num dos elétricos mais completos da atualidade.
O SUV crossover compacto do segmento D foi construído sobre uma plataforma dedicada para este fim! Mas classificá-lo assim pode parecer redutor, pois, na prática, se olharmos para a distância entre eixos este oferece uma habitabilidade do segmento claramente superior.
Pela mão criativa do designer da marca, o Ioniq 5 não segue tendências; ele cria a sua própria e, se na geração anterior eu não me sentia muito confortável com a imagem futurista, nesta considero que a imagem estilística foi apurada cirurgicamente e o carro torna-se bastante elegante e sofisticado.
Foi inspirado no concept car, com linhas geométricas minimalistas, linguagem Parametric Pixel que é exclusiva, um capô de peça única e uma silheta crossover com proporções, diria, retrofuturistas.
E por isso o 5 continua a provocar reações, não pelo excesso, mas pela sua pureza do design! Percebe-se que é um produto global com estratégia industrial distribuída, que a engenharia se mantém coreana, com o desenvolvimento centrada nas equipas de mobilidade da Hyundai; uma vantagem clara na consistência do produto.
O Ioniq 5 evoluiu bastante; hoje possui arquitetura de 800 volts, carregamento superrápido – cerca de 350 km em 18 minutos – e há uma distribuição muito mais otimizada das massas. O 5 que conduzo tem a bateria de 84 kWh e uma autonomia superior a 600km (na prática fará uns 500).
Percebe-se que a direção é precisa e filtrada e que a suspensão foi afinada para absorver irregularidades; sente-se mesmo uma melhor filtragem! Não tenta ser um desportivo, e isso é um elogio, pois a entrega de potência é linear, previsível e silenciosa, mas sobretudo nota-se uma robustez que, neste mercado às vezes não é fácil de encontrar em termos de habitáculo.
Por falar nele é muito mais tradicional que o exterior, com uma consola central deslizante, bancos reclináveis tipo lounge, dois ecrãs integrados de 12,3 polegadas e apostaram muito no que começa a ser obrigatório na indústria: a aposta em materiais reciclados e ecoprocessados, num design diria que minimalista e simples.
Percebe-se também, e esta é uma grande diferença face ao modelo anterior, a ergonomia foi superiormente refinada, retornando também aos botões físicos e, desta vez, numa disposição bastante diferente, toda concentrada num único local e muito bem conseguida.
Em termos de sistemas de AI evoluiu com este novo cockpit digital, com as habituais atualizações OTA e o carro continua a ter o que já é óbvio em quase todos: o planeamento inteligente das rotas. Também este modelo não usa Marketing AI mas sim AI funcional, e o que pretendo dizer com isto é que ele faz uma gestão energética inteligente, o planeamento do carregamento é adaptativo e os sistemas ADAS têm uma evolução preditiva em vez de reativa.
Destaco talvez a estrutura em aço de alta resistência, claramente um upgrade enorme na perceção de qualidade consistente. Ele não tem apenas bom aspeto, sente-se sólido. O eixo traseiro, por exemplo, recebeu melhorias acústicas importantes precisamente para reduzir o ruído em baixa frequência, a rigidez estrutural foi reforçada para minimizar as vibrações na direção e a arquitetura que foi desenvolvida para este modelo permite uma redistribuição espacial interna única que a aproxima de um salão sobre rodas.
Em termos de público alvo, voltamos a destacar todos aqueles profissionais urbanos com consciência tecnológica, os early adopters da mobilidade elétrica e famílias que valorizam o espaço e conforto.
Não é um automóvel emocional mas racional e é isso que o torna bastante bom. Em termos de preços começa nos 45.000 até à versão mais equipada que fica perto dos 59000€.
A autonomia não só é consistente com a informação oficial como é surpreendente que deixamos de ter o pavor da autonomia.
Em resumo, o Hyundai superou as minhas expectativas iniciais porque a melhoria face à geração anterior é enorme, o que não significa que o outro produto fosse abaixo da média. Não, de todo! Mas o refinamento que foi feito é absolutamente considerável até mesmo nos bancos se sente a diferença desse conforto mas também nos materiais suaves ao toque, na sensação de solidez e robustez mas também no automóvel bastante confortável e bastante intuitivo.
















