Empresas querem transformar gestão de risco em motor de crescimento, revela estudo da Coface

As empresas estão a repensar o papel das equipas de risco e finanças num contexto marcado por incerteza geopolítica, volatilidade económica e rápida transformação tecnológica.

Executive Digest

As empresas estão a repensar o papel das equipas de risco e finanças num contexto marcado por incerteza geopolítica, volatilidade económica e rápida transformação tecnológica. Em vez de funcionarem apenas como estruturas de proteção e controlo, estas áreas começam a ser vistas como parceiras capazes de apoiar decisões de crescimento.

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A conclusão consta do Risk Management Survey 2026 da Coface, realizado junto de 1.250 decisores de risco e finanças em 13 países da Europa, América e Ásia-Pacífico. O estudo mostra que 62% das organizações ainda sentem tensão entre ambição comercial e disciplina de risco, mas 44% dos decisores esperam que, nos próximos três a cinco anos, estas equipas assumam um papel mais estratégico.

Empresas mais avançadas envolvem risco mais cedo

O relatório identifica um grupo de organizações, designadas Open Advantage Leaders, que já tratam a gestão de risco como uma fonte de valor e vantagem competitiva.

Entre estas empresas, 70% envolvem as equipas de risco numa fase inicial das decisões de crescimento, contra 58% no conjunto da amostra. Além disso, 38% promovem uma cultura de debate aberto, comparativamente com 23% do total, e 29% consideram o risco uma vantagem competitiva, quando a média global se fica pelos 19%.

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A lógica passa por evitar que a gestão de risco funcione apenas como mecanismo de bloqueio, procurando antes criar condições para avançar de forma controlada e informada.

Cultura interna continua a travar decisões

Apesar desta mudança, muitos dos principais obstáculos permanecem dentro das próprias organizações.

Metade dos inquiridos considera que dizer “não” parece mais seguro do que procurar um “sim estruturado”. Há ainda 59% que afirmam que o feedback das equipas de risco não é bem recebido, enquanto apenas 24% dizem envolver sempre estas áreas numa fase precoce das decisões.

Só 50% acreditam também que a liderança apoia as equipas quando riscos considerados bem geridos não produzem o resultado esperado.

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Estas dinâmicas internas continuam, segundo a Coface, a atrasar decisões e a limitar a capacidade das empresas para aproveitar oportunidades de crescimento.

Dados fragmentados são um dos principais obstáculos

A qualidade e disponibilidade da informação surgem como outro problema central.

Cerca de 52% das organizações afirmam que os seus dados de risco estão fragmentados entre diferentes mercados, dificultando decisões rápidas e consistentes.

Entre os principais fatores que limitam o crescimento, 68% apontam processos de decisão lentos, 54% referem a aversão interna ao risco e 47% identificam a falta de dados em tempo real.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por ferramentas tecnológicas capazes de apoiar a antecipação. Cerca de 59% das empresas querem acesso a informação preditiva, 54% pretendem recorrer a avaliações de risco baseadas em inteligência artificial e metade já utiliza indicadores de alerta precoce.

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Empresas querem parceiros que as ajudem a dizer “sim”

As expectativas em relação aos parceiros externos de gestão de risco também estão a mudar.

Segundo o estudo, 77% das empresas querem informação preditiva que permita tomar decisões de forma mais proativa, enquanto 71% procuram maior segurança para avançar com mais oportunidades.

Há ainda 65% que valorizam mecanismos de proteção capazes de sustentar decisões comerciais mais ambiciosas.

A tendência aponta, assim, para uma procura crescente por parceiros que ajudem a transformar incerteza em informação utilizável para o negócio, em vez de se limitarem a proteger contra perdas.

Portugal acompanha tendência do sul da Europa

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No caso português, o relatório enquadra o país num perfil de risco semelhante ao observado no sul da Europa, com estruturas empresariais menos expostas à volatilidade tecnológica e ao risco corporativo mais acentuado registado noutros mercados.

A Coface considera também que as tendências observadas em Espanha são consistentes com a evolução visível em Portugal, onde as empresas procuram maior previsibilidade, valorizam a antecipação e começam a integrar o risco mais cedo nos processos de decisão.

Este movimento poderá ser especialmente relevante para setores exportadores e PME com ambição internacional.

Dados, IA e equipas de risco entre as oportunidades para Portugal

O estudo identifica três áreas onde as empresas portuguesas poderão ganhar vantagem.

Uma passa pela melhoria da qualidade e consistência dos dados de risco, ainda fragmentados em vários setores. Outra está relacionada com a adoção de ferramentas preditivas, incluindo inteligência artificial e indicadores de alerta precoce.

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A terceira passa pelo reforço do papel das equipas de risco como facilitadoras do crescimento, com maior participação nas decisões de expansão, investimento e entrada em novos mercados.

Neste contexto, a Coface considera que Portugal está bem posicionado para beneficiar de um novo paradigma em que a gestão de risco deixa de ser encarada apenas como um travão e passa a ser utilizada para apoiar crescimento e competitividade.

O Risk Management Survey 2026 foi conduzido pela Coleman Parkes entre fevereiro e março de 2026 e abrangeu setores como indústria, química, agroalimentar, tecnologias de informação e comunicação, retalho e energia.

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