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É oficial. O plástico está, literalmente, a cair do céu

O plástico está a cair do céu, literalmente, esta é a conclusão de um estudo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que descobriu, depois de recolher amostras de água da chuva e de ar durante 14 meses, que mais de mil toneladas de partículas microplásticas caem do céu em 11 áreas protegidas norte-americanas, por ano, o equivalente a 120 milhões de garrafas de plástico.

«Acabámos de descobrir isto em 11 áreas protegidas do oeste, o que representa apenas 6% da área total dos EUA», diz a principal autora Janice Brahney, cientista ambiental. «O número é tão grande que se torna chocante», acrescenta citada pelo ‘Ars Technica’.

Para além disso, o estudo, publicado na revista Sciense, confirma que os microplásticos são cada vez mais comuns em todo o mundo, poluindo habitats supostamente puros, como o Árctico e os Pirinéus Franceses. Os plásticos invadem os oceanos através das águas residuais e contaminam os ecossistemas marinhos.

Agora, no oeste norte-americano e, possivelmente, no resto do mundo, os plásticos estão a cair em forma de chuva, a nova chuva ácida, segundo os autores.

Os especialistas estimam um cenário ainda mais grave: um aumento dos resíduos plásticos de 260 milhões de toneladas por ano para 460 milhões de toneladas até 2030, segundo a consultoria McKinsey . Isto porque um maior número de pessoas na classe média de países em desenvolvimento económico, significa mais consumismo e consequentemente, mais embalagens plásticas.

No geral, o estudo descobriu que 98% das amostras recolhidas ao longo de um ano continham partículas microplásticas. Em média, 4% das partículas atmosféricas capturadas eram na verdade polímeros sintéticos. As partículas que caíram da chuva eram maiores do que as depositadas pelo vento, visto que partículas mais leves são mais facilmente capturadas pelas correntes de ar.

As microfibras, provenientes de fontes como roupas de poliéster, compunham 66% do material sintético em amostras húmidas e 70% em amostras secas. «Fiquei completamente chocada ao ver pequenos pedaços de plástico de cores vivas em quase todas as amostras», diz Brahney.

Esta nova pesquisa traz uma outra surpresa preocupante: 30% das partículas da amostra eram microesferas, pequenas esferas sintéticas que os Estados Unidos retiraram de produtos de beleza em 2015. «Vimos muitas microesferas de cores vivas, com todas as cores do arco-íris, e algumas eram acrílicas», diz Brahney.

Brahney e a sua equipa observaram que os microplásticos podem estar a alterar as propriedades térmicas do solo, por exemplo, mudando a forma como o calor é absorvido e armazenado. Para além disso, as partículas podem ainda conduzir ao crescimento de mais micróbios e alterar a circulação da água nos solos.

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