É “iminente”: BCE pode abrandar programa de compra de ativos já em setembro, avisa François Villeroy

Villeroy de Galhau frisou, no entanto, que qualquer mudança efetuada sobre PEPP não será sinónimo de uma redução total do montante abrangido pelo programa – como poderá ser feito nos EUA pela mão da Reserva Federal, como anunciou na sexta-feira o presidente da Fed, Jerome Powell – mas sim “o abrandamento do valor semanal ou mensal de ativos adquiridos” pelo BCE.

Fábio Carvalho da Silva

François Villeroy de Galhau, um dos membros mais influentes do Conselho de Governadores Banco Central Europeu (BCE) e líder do Banco Central francês, anunciou, esta segunda-feira, que o ritmo do Programa de Emergência de Compra de Ativos (PEPP) pode abrandar já em setembro deste ano, e não e março de 2022, como estava previsto inicialmente.

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Villeroy de Galhau frisou, no entanto, que qualquer mudança efetuada sobre PEPP não será sinónimo de uma redução total do montante abrangido pelo programa – como poderá ser feito nos EUA pela mão da Reserva Federal, como anunciou na sexta-feira o presidente da Fed, Jerome Powell – mas sim “o abrandamento do valor semanal ou mensal de ativos adquiridos” pelo BCE.

“Quanto aos volumes mensais, estamos a estudar quais são as condições de financiamento mais favoráveis, e devemos enfatizar que neste momento [as condições de mercado] são mais favoráveis do que as contempladas na nossa reunião de junho”, explicou Villeroy à rádio BFM Business. “Temos que decidir os volumes mensais referentes ao quarto trimestre”, acrescentou o Governador.

O aviso de Villeroy surge uma semana antes da próxima reunião do Conselho de Governadores do BCE, agendada para a próxima semana, durante a qual os líderes bancários da zona euro terão de se pronunciar sobre as condições dos estímulos monetários, até ao final de 2021.

O Governador francês avisou, no entanto, “que o possivelmente o PEPP não fará parte do alinhamento do próximo encontro” da instituição financeira liderada por Christine Lagarde.

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O Governador ressaltou ainda que os EUA e a Zona Euro estão a caminhar a ritmos diferentes, já que a inflação nas duas regiões caminha a velocidades diferentes.

Nas últimas projeções macroeconómicas publicadas pelo BCE em março, o banco central liderado por Christine Lagarde apontou para uma aceleração da inflação de 1,9% em 2021 e um abrandamento de 1,5% em 2022. Nos EUA a inflação está acima dos 5%, segundo os dados da Fed.

“Powell estabeleceu uma disritmia no tempo entre as decisões de compra de ativos e a subida das taxas de juro”, disse Villeroy. “Acho que esta desconexão provavelmente se aplica a ambos os lados do Atlântico, sem indicar números ou tempo”, apontou o economista, dando a entender que também na Zona Euro as deliberações do BCE sobre a taxa de juro diretora e o PEPP ocorrerão em momentos diferentes.

Em julho, o Conselho de Governadores concordou ainda em que as compras líquidas relativas ao APP (Programa de Compra de Ativos)  continuarão a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros, mantendo assim uma política acomodatícia.

No que toca ao Programa de Compras de Emergência de Títulos (PEPP), o BCE deliberou aplicar o envelope financeiro de 1.850 mil mil milhões de euros, conforme Christine Lagarde, a presidente da instituição, já tinha avançado, numa entrevista à imprensa francesa, até março de 2022.

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O Conselho de Governadores espera que as compras ao abrigo do PEPP “acelerem durante este trimestre, face a velocidade em que decorreram as operações nos primeiros três meses do ano. Este envelope financeiro pode ser recalibrado, caso seja necessário”, assegurou o órgão executivo do BCE.

 

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