Covid-19: Como desmontar os argumentos de quem é contra a vacinação?

Não há vacina na história da medicina que tenha sido monitorizada mais de perto do que a da Covid-19. O que pode dizer para se sair bem no contronto

Executive Digest

Entre os vizinhos, no trabalho, no grupo de pais na escola. todos nós conhecemos alguém que não está confiante com a velocidade com que a ciência avançou com uma vacina para inocular os efeitos da infeção com o SARS-CoV-2.

A tentar dar um contributo para o debate que já arrasta há demasiado tempo – sobretudo se pensarmos que estão a ser administradas vacinas há mais de um ano um pouco por todo o mundo e a redução dos casos graves, na última vaga da pandemia, é-lhes atribuída em grande parte – o diário catalão La Vanguardia ouviu dois dos maiores especialistas espanhóis. Saiba então o que pode dizer quando se deparar com alguém que está do outro lado da barricada.

Substâncias perigosas e outras histórias

Um dos argumentos muito usados é que as vacinas contêm substâncias perigosas, tais como o alumínio e o mercúrio. É algo, como sublinham que não acontece: afastado do uso comum há já algum tempo, o mercúrio já não está presente em praticamente nenhuma vacina. Quanto ao alumínio, pode estar presente numa pequena quantidade de vacinas – porque é um adjuvante, ou seja uma substancia usada para aumentar o efeito da vacina – mas não está a ser usado nas vacinas contra a Covid-19.

Ainda assim, explicam aqueles especialistas, mesmo onde aquela substância está presente, a dose é tão baixa que não é prejudicial para a saúde. E o mesmo é válido para o mercúrio. “Vacinas mais antigas, ou para outras doenças, poderiam conter este componente, mas numa dose não tóxica e que era eliminada muito rapidamente”.

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Outras vezes, os antivacinas também argumentam com os efeitos secundários graves – falam até de autismo. Mas há já algum tempo que a Ciência deu como provado que não há qualquer ligação entre vacinas e aquela doença. Um embuste que se tem aplicado à questão da Covid-19, mas também no caso de outras vacinas.

Ligeiros, transitórios e locais

Além disso, é já claro que a maioria dos efeitos adversos são ligeiros, transitórios e locais – contando ainda com o apoio de um sistema de farmacovigilância nacional e europeu que monitoriza as novas vacinas aprovadas no mercado. Ou seja, sempre que há algum sinal que permita suspeitar de uma reação ou acontecimento adverso relacionado com uma vacina o facto tem de ser comunicado. De resto, como notam os especialistas, a maioria dos efeitos são ligeiros e passam por si próprios.

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Se, ainda assim, precisar de mais dados para argumentar a favor da vacina contra a Covid-19, pode sempre lembrar que foram já inoculadas mais de 9 mil milhões de doses. Ou seja, não há vacina na história da medicina que tenha sido monitorizada mais de perto do que esta. O que quer também dizer que se tivessem acontecido reações minimamente graves e que afetassem uma parte significativa da população, teríamos tido conhecimento disso num segundo e isso teria sido tornado público no momento.

E a longo prazo? E a miocardite?

Pode ainda acontecer que lhe atirem com o clássico argumento de que não sabemos os efeitos a longo prazo. Mas a grande questão, como contrapõem os especialistas, é que os efeitos secundários das vacinas estão em regra associados ao momento em que são administrados – é quando a resposta imunitária é gerada. A médio e a longo prazo não é de todo expetável que produzam algum efeito. Aliás, se atentarmos para o que está a acontecer agora, o que vemos é que as vacinas foram perdendo eficácia com o tempo. Pelo que não é de esperar efeitos a longo prazo.

É mais um argumento de que a corrente de antivacinas se tem socorrido e tem a ver com o facto de a própria Pfizer reconhecer que pode haver casos associados de miocardite, um efeito adverso raro, nos próximos cinco anos. Mas o que a farmacêutica reconheceu não foi isso – antes que só cinco anos depois é que poderá haver sequelas de uma hipotética miocardite.

Outro argumento usado que se revela uma falácia é o de que as vacinas com tecnologia de ARN mensageiro são incorporadas no nosso ADN. Ora, como explicam os especialistas, o que acontece é que degradam as células invasoras, não entram propriamente no seu núcleo. Esse é um dos factos que é preciso provar quando se apresenta uma nova vacina aos reguladores: é que não se integra no nosso organismo.

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Cobaias, nós, não! Somos uns privilegiados

Se lhe atiraram também com a desculpa que qualquer uma das vacinas não previne a infeção, recorde que reduz os casos com sintomas graves e a precisar de internamento hospitalar, que foi aquilo que mais preocupou todos os responsáveis médicos. Além disso, as pessoas vacinadas tendem a eliminar a infeção mais cedo, dado que o tempo de transmissão também é mais curto.

Já quando lhe falarem de cobaias, diga apenas que as únicas pessoas que foram cobaias neste processo todo foram as que participaram nos ensaios clínicos. Mas foi-lhes explicado o procedimento e assinaram um formulário de consentimento informado. Agora, nós, não: não somos cobaias, sublinhe-se, fomos uns privilegiados.

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