Com a propagação do coronavírus existe uma maior tendência para evitar o contacto físico, nomeadamente apertos de mão, beijos e abraços. A situação mais recente que reflecte esse facto, teve como protagonistas Angela Merkel e o seu ministro do interior, que recusou um aperto de mão da chancelar alemã, com medo de um possível contágio.
Se numa outra altura este gesto teria sido visto como falta de educação ou antipatia, actualmente, com mais de 160 casos de infectados confirmados na Alemanha, todos consideram que a prevenção é essencial e até a própria Merkel referiu que «era a coisa certa a fazer».
Este surto viral que se tem propagado um pouco por todo o mundo, está efectivamente a mudar a interacção social a nível mundial, com os habituais apertos de mão, beijos e abraços a ser cada vez mais evitados e, em certos casos, até substituídos por ‘cumprimentos de cotovelo’, como fez, por exemplo, Bruce Aylward, membro da Organização Mundial de Saúde, ao dirigir-se a um repórter que o quis cumprimentar com um aperto de mão, avança o ‘The Guardian’.
Em Itália, Angelo Borreli, comissário do país para o coronavírus, sugeriu que a demonstração afectiva dos italianos poderia contribuir para uma maior propagação do vírus, apelando para que os cidadãos tentassem controlar essa questão.
Também em França, o ministro da saúde, Olivier Véran, aconselhou a população a reduzir afectos como abraços e beijos.
No Reino Unido, o cenário não é tão radical, Paul Cosford, director médico da ‘Public Health England’ (PHE), referiu numa entrevista que «Vamos ter de chegar a um ponto em que o contacto social será reduzido, se a infecção se propagar mais”, disse acrescentando «para já, temos de continuar com as nossas vidas normalmente», disse citado pelo ‘The Guardian’.
Nicky Milner, directora de educação médica da Universidade Anglia Ruskin, afirmou que «o aperto de mãos é nojento», revelando que em média 3,200 bactérias entram no nosso organismo, aquando desse gesto.
Já Sylvie Brand, directora de doenças ‘pandémicas’ da OMS, referiu que o ‘cumprimento de cotovelo’, pode mesmo ser uma forma alternativa e segura para substituir o aperto de mão.
Adam Kucharski, professor na Escola de Higiene e Medicina de Londres disse: «se o coronavírus se transformar num surto (no Reino Unido), não será uma questão de as pessoas fazerem uma pequena mudança no seu comportamento, mas antes uma série de mudanças em vários aspectos comportamentais», disse citado pelo ‘The Guardian’.





