Como uma rápida adesão da Ucrânia à UE pode mudar o rumo da guerra com a Rússia

A adesão da Ucrânia à UE seria uma mudança radical no conflito com a Rússia, pois Putin veria o Ocidente a entrar numa disputa direta com os seus interesses.

Simone Silva

Após longos dias de insistência, desde que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia a 24 de fevereiro, finalmente na segunda-feira a União Europeia (UE) deu o passo inicial para uma possível entrada da Ucrânia nos seus estados membros.

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Segundo o ‘elEconomista’, mesmo havendo medidas a serem tomadas, a adesão da Ucrânia à UE mudaria o rumo do conflito bélico travado atualmente com a Rússia.

A curto prazo, é difícil para a Ucrânia cumprir todos os requisitos de adesão à UE, ainda mais em tempo de guerra e com até sete países à frente em termos de prazos burocráticos. Mas se isso acontecesse, seria uma mudança radical no conflito com a Rússia, pois Putin veria o Ocidente a entrar numa disputa direta com os seus interesses.

Isto é reconhecido no artigo 42.º do Tratado da União, onde está estipulado na sua sétima disposição que “se um Estado for alvo de uma agressão armada no seu território, os outros Estados-Membros devem ajudá-lo e assisti-lo com todos os meios à sua disposição”. Ou seja, a UE deve enviar tropas diretamente para a Ucrânia para apoiá-la, podendo fazer com que o país vença esta guerra.

O antigo desejo da Ucrânia pertencer à UE foi um dos grandes gatilhos para que Vladimir Putin finalmente optasse por mobilizar todas as suas tropas para o território ucraniano, de forma a conquistar regiões que o líder russo considera serem sua propriedade histórica e cultural.

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Em 2013 a Ucrânia estava perto de concluir o seu procedimento de adesão, mas o presidente na altura, Víctor Yanukovych, suspendeu a assinatura do acordo de associação, o que levou aos protestos conhecidos como Euromaidan , que por sua vez desencadearam os conflitos em Donbas e na Crimeia, com posterior reconhecimento da independência da Rússia para Lugansk e Donetsk.

O início da guerra com a Rússia, levou a que o agora presidente, Volodimir Zelensky, voltasse a iniciar os procedimentos para a entrada da Ucrânia na UE. Um processo sempre longo mas que devido à situação atual o dirigente pediu para agilizar, dando esta segunda-feira aos 27 Estados-Membros o primeiro e grande passo firme: pedir um parecer sobre a entrada à Comissão Europeia .

Assim, iniciou-se a maquinaria continental, também na Geórgia e na Moldávia, estando a Ucrânia já na fase de pré-adesão, antes de estar no leque de candidatos a integrar a lista de 27 países, que agora inclui Albânia, Macedónia do Norte, Montenegro, Sérvia e Turquia (também Bósnia-Herzegovina e Kosovo são potenciais candidatos).

Cumprir pura e simplesmente os Acordos de Copenhaga, são as medidas básicas para fazer parte da UE. Uma série de condições que passam pela estabilidade democrática, respeito pelos direitos humanos ou ter uma economia sustentável.

O desejo de Zelensky tanto com a entrada na UE como na NATO, é fortalecer a sua defesa. Para já, no que diz respeito à UE, o presidente da Comissão Europeia deixou claro que “a Ucrânia é um de nós e nós a queremo-la connosco”.

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Uma mensagem que foi publicamente apoiada pela Hungria, Polónia, Bulgária, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Lituânia e Letónia, mas não por outros países mais fortes, como França, Alemanha, Itália ou Espanha, que ainda não fizeram uma declaração pública nesse sentido.

A dificuldade do conflito com a Rússia e a mudança que significaria entrar em guerra com Putin, fazem-nos manter uma cautela de que, por enquanto, os 27 já têm a firmeza de estudar uma entrada que mudaria o destino da batalha.

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