Um grupo de moradores no concelho de Almada concentrou-se hoje junto à estação ferroviária do Pragal em protesto pelas falhas no abastecimento de água, exigindo a reposição do serviço.
“Queremos água, queremos água já”, gritavam os manifestantes na concentração, convocada nas redes sociais por uma jovem moradora no Monte da Caparica, para mostrar publicamente a indignação dos munícipes.
Em declarações à agência Lusa, Joana Lemos explicou que a ideia de convocar este novo protesto surgiu depois do cordão humano realizado na quarta-feira na Costa da Caparica, onde cerca de 1.500 pessoas exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros (PS).
“Todos temos sentido os cortes. Uma vezes numa zona, outras vezes noutra. Temos de andar a intercalar entre amigos para tomar banho. No dia em que aconteceu o protesto na Costa da Caparica, estávamos em casa de amigos e surgiu a ideia… se eles começaram, então nós vamos continuar”, disse.
Joana Lemos disse ter esperança que assim os munícipes possam ser ouvidos.
“Temos vários problemas, não é só a falta de água. Temos problemas com a limpeza das ruas, e também da iluminação, porque aqui não temos luz na rua. Mas hoje o protesto é mesmo centrado na questão da água”, explicou.
O dia-a-dia dos munícipes do Monte da Caparica, adiantou, também tem sido complicado e não se sentem melhorias no serviço, apesar das medidas anunciadas pela autarquia.
“Não sentimos mudanças nenhumas. A única resposta que nós tivemos até agora é que ia haver cortes à noite, mas os cortes aqui começam logo às dez da manhã, oito da manhã”, disse.
Nos últimos dias, têm sido relatadas sucessivas falhas de água, com especial incidência na Costa da Caparica, tendo sido ativado, na segunda-feira, o plano de contingência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e criado um gabinete de crise.
Entretanto, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, decretou na quarta-feira situação de alerta no município.
“Enquanto vigorar a situação de alerta, serão implementadas restrições ao consumo de água que permitam preservar este recurso essencial para o abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população”, referiu.
Entre as medidas, está o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22:00 às 06:00, e a proibição de todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais, designadamente, a rega de jardins públicos e privados e de campos de golfe, a lavagem de viaturas, o enchimento de piscinas, a utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares, o funcionamento das fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água e a lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados.
Seis localidades do concelho de Almada vão ficar sem água a partir das 22:00 de hoje e até às 06:00 de sábado, no âmbito das medidas da Câmara Municipal para restabelecer reservas de água, anunciou a autarquia.
A partir de sábado, vários equipamentos desportivos municipais de Almada vão estar com condicionamentos no acesso e os eventos Trafaria Com Prova, previsto para decorrer entre hoje e domingo, e Solar Com Vida, previsto para sábado na Sobreda, foram adiados devido à situação de alerta.
Segundo a autarquia, a situação que o município de Almada enfrenta é excecional e resulta de um aumento muito significativo do consumo de água, que exerceu uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento.
Entretanto, a ministra do Ambiente, Graça Carvalho, e a presidente da Câmara Municipal de Almada tiveram uma reunião na quinta-feira, na qual também participaram os presidentes da Agência Portuguesa do Ambiente, das Águas de Portugal, da EPAL e dos SMAS Almada.
No final da reunião, a ministra assegurou que um novo furo de captação de água vai entrar em funcionamento até ao fim de semana, aumentando a capacidade do sistema em cerca de 20% e que os atuais constrangimentos no abastecimento de água em Almada deverão estar resolvidos dentro de duas a três semanas.


