Sendo certo para a medicina que há organismos capazes de se defender sozinhos do ataque de alguns agentes infecciosos, os médicos têm vindo a notar sinais de que esta ‘defesa e resistência natural’ também se manifesta na infeção da covid-19, atendendo a que há pessoas a escapar ao vírus mesmo vivendo junto de quem está infetado, noticia o ‘Expresso’..
Para ilustrar esta situação de estar exposto ao novo coronavírus e não resultar em infeção, a publicação dá o exemplo do caso do escritor Luis Sepúlveda e da mulher. O autor chileno morreu de covid-19 e a mulher não foi infetada.
Com relatos semelhantes a surgir na comunidade e também em meio hospitalar, a publicação encontrou também o caso de Daniel Martins, 39 anos, e Salomé Antunes, 37, em que Salomé foi infetada, aparentemente por uma colega de trabalho, e apesar de partilhar a casa com o namorado, Daniel não adoeceu.
O ‘Expresso’ conta ainda o caso relatado por Maria João Brito, responsável pela Unidade de Infecciologia do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, em que registou dezenas de casos entre mães de crianças infetadas. Segundo a especialista, “das mães das 69 crianças internadas que estiveram sempre a acompanhar os filhos, 38 não se infetaram nem durante o internamento nem depois, quando foi feito o seguimento no domicílio. E estas mães estiveram sempre com os filhos, nunca saíram dos quartos e cuidaram deles sem máscara, luvas ou bata”, sublinha a pediatra à publicação.
O ‘Expresso’ falou com Henrique Veiga-Fernandes, investigador principal do Laboratório de Imunofisiologia da Fundação Champalimaud que explica que “os testes de diagnóstico detetam material genético do vírus e nenhum tem 100% de sensibilidade, 70% no máximo. Portanto, há 30% de hipóteses de positivos não serem detetados. E à medida que o tempo de infeção progride, a carga viral diminui e com ela a possibilidade de deteção. O que poderá esclarecer é um teste serológico, que não olha para a presença do vírus mas para a pegada que deixou”.
Desde o início da pandemia da covid-19 que é claro que a doença tem manifestações diferentes e as razões que as explicam são uma das muitas linhas de pesquisa em curso.














