Justiça do Líbano permite que mulher transgénero atualize registo civil

Um juiz libanês autorizou uma mulher transgénero a atualizar o seu registo civil, uma decisão rara num país do Médio Oriente onde as questões LGBTQ continuam a ser tabu.

Executive Digest com Lusa

Um juiz libanês autorizou uma mulher transgénero a atualizar o seu registo civil, uma decisão rara num país do Médio Oriente onde as questões LGBTQ continuam a ser tabu.

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O juiz Wassim Zahreddine deu a sua aprovação em abril, seis anos após a mulher ter apresentado o seu pedido, mas o receio de reações hostis retardou a publicação da decisão até julho, com a concordância da própria interessada.

“Agi por convicção, apliquei a lei e por humanidade”, afirmou o juiz à agência de notícias francesa AFP na quarta-feira.

A lei libanesa estipula que os documentos oficiais podem ser alterados por um juiz para refletir a identidade de género de uma pessoa.

O magistrado Zahreddine disse ter baseado a sua decisão num acórdão de 2016 do tribunal de recurso de Beirute, que reconhecia a um homem transgénero o direito de modificar os seus documentos legais.

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Segundo o juiz, a sua decisão, que ainda pode ser alvo de recurso, foi criticada por alguns religiosos.

A interessada, disse o juiz, tinha obtido, na Tailândia, em 2019, um relatório médico que atestou uma disforia de género, e submeteu-se a uma cirurgia.

A mulher apresentou um pedido de alteração do seu registo civil no Líbano em 2020.

Segundo o juiz, durante os controlos de segurança, a mulher era sujeita a perguntas repetidas sobre a sua identidade, numa violação legal do seu direito à privacidade.

Embora o Líbano seja considerado um dos países mais liberais do Médio Oriente, as autoridades proibiram eventos LGBTQ nos últimos anos.

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Uma lei formulada de forma vaga, que pune relações sexuais consideradas “contra a natureza”, também pode ser usada para reprimir a comunidade.

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